Famoso pela diversidade de comidas de boteco, o Rio está ganhando um novo roteiro gastronômico que une cultura e sofisticação: o da comida de museu. Da Zona Portuária à Zona Sul, cariocas e turistas que quiserem fazer uma boquinha, antes ou depois de assistir a uma exposição, contam com um cardápio de pratos requintados, sobremesas e petiscos que tornam o programa ainda mais saboroso. Com a inauguração de dois novos endereços de cultura na cidade este ano, o Museu de Arte do Rio (MAR) e a Casa Daros, este mapa da gastronomia ficou ainda mais diversificado.
No MAR, que desde a inauguração tem batido recordes de visitação (foram mais de 170 mil pessoas em três meses), o desafio do chef Mozart Jardim, do Bistrô e Café Cristóvão, tem sido tornar o cardápio tão atraente quanto o acervo e a arquitetura do prédio, um dos destaques na revitalização da Zona Portuária.
“Os restaurantes de museu recebem clientes passageiros, que vêm aqui por causa do passeio. É preciso atraílos para o bistrô e fazê-los voltarem outro dia. Este é um movimento que estamos vendo em outros museus da cidade, em que as pessoas passam a ir aos restaurantes sem necessariamente visitar a exposição”, diz Jardim.
Já o Mira! Cozinha & Café, instalado no pavimento térreo da Casa Daros, tem atraído gente que vai ali só por causa da comida. São principalmente artistas, profissionais liberais e funcionários públicos que sentiam falta de uma comida mais autoral na região.
A chef Roberta Ciasca conta que, ao abrir o espaço, há quatro meses, ela e os sócios pensaram num lugar com decoração contemporânea que funcionasse como uma extensão das salas de exposição.
“É um lugar para atender a um público que queira unir a boa experiência de vir ao museu com a experiência de uma boa comida. Durante a semana, servimos um bufê de saladas com grelhados especiais, como costelinhas de porco assadas no sal grosso. Nos finais de semana, procuro buscar inspiração na arte exposta na Casa Daros”, diz Roberta.
Há ainda chefs que buscam o movimento contrário: incentivar o público do restaurante a visitar o museu. Desde 2006 funcionando no Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, o restaurante Laguiole, especializado em alta gastronomia, é frequentado principalmente por executivos engravatados que raramente aproveitam o horário de almoço para passear pelo prédio. Desde que assumiu a cozinha, em outubro do ano passado, o chef Ricardo Lapeyre vem fazendo sobremesas e pratos inspirados nas exposições.
“Os clientes que vêm aqui têm passe livre para assistir às exposições no MAM, mas a maioria não vai porque está muito ocupada. Eu adoro arte e sempre visito o museu, e procuro criar pratos que remetam à programação. É minha maneira de tentar promover a integração entre o museu e o restaurante”, explica Lapeyere.
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