Turismo

Roteiros de Leipzig têm história e adrenalina

Anna Paula Franco
12/09/2013 03:02
Leipzig já figura no mapa da Alemanha como cenário cultural e científico de personalidades da música, medicina, literatura, psicologia e outras áreas do conhecimento. Também foi território do início da revolução pacífica que resultou na reunificação do país, em 1989. Agora, a cidade de pouco mais de 500 mil habitantes e nove séculos de história, investe para entrar no roteiro dos viajantes. E não faltam bons motivos para explorar a cidade cravada na Saxônia, na parte leste do país.
Amantes da música serão naturalmente atraídos a Leipzig. Richard Wagner nasceu lá, Joham Sebastian Bach foi solista da igreja Thomaskirche, Felix Mendelssohn Bartholdvy fundou na cidade o primeiro conservatório do país, em 1843, sem esquecer do pianista Robert Shumann e sua esposa Clara Wieck, também musicista. Muitos lugares de Leipzig demonstram essa vocação. Um dos mais antigos é a Thomana, instituição cultural com mais de 800 anos, que reúne a igreja Thomaskirche, o coro de meninos Thomanerchor e a escola Thomarsschule. O coro surgiu da união da igreja com a escola e ganhou fama mundial. Os alunos cantavam em missas, batizados e casamentos em troca de educação e alojamento e Bach foi um dos solistas, dirigindo a instituição entre 1723 a 1750.
Outro ponto que conta a história das notas musicais da cidade é a casa da Gewandhausorchester, a maior orquestra profissional do mundo, criada em 1743 e hoje com 185 músicos. O teatro Gewandhaus usa tecnologia de última geração para garantir a acústica perfeita durante as apresentações. A sala principal tem 1.905 lugares e um conjunto de órgãos com mais de 6.600 tubos.
A jornalista viajou a convite do Germany Convention Bureau and Visitors.
Eventos ganham recintos inusitados
Treze mil leitos – 40% deles em hotéis de alta categoria – e 1.400 restaurantes tornam a infraestrutura de Leipzig atrativa também para o segmento de eventos. Somente no principal recinto da cidade, o Congress Center Leipzig, os cem eventos anuais atraem mais de 100 mil pessoas. Outros lugares são adaptáveis para diversas necessidades, como os ambientes de antigos monumentos ou mesmo o Centro de Visitantes da Porsche, que faz parte do patrimônio turístico local. E o investimento continua: a sede centenária do zoológico está em obras. A sala principal, com capacidade para 3,5 mil pessoas, deve ficar pronta em 2015.
Todos os espaços disponíveis da cidade se esforçam para criar atrativos e receber visitantes. Um exemplo é a Spinnerei Art Centre, o distrito industrial reurbanizado em 2005, em que antigos armazéns dedicados à produção têxtil da cidade hoje abrigam mais de cem lojas e estúdios de arte contemporânea. Caminhar pelo labirinto de prédios históricos, descobrindo arte nos corredores e becos, é uma das diversões dos turistas locais.
A aposta da cidade para tornar o patrimônio histórico potencial turístico está em pequenos detalhes. Desde o bondinho da empresa de transporte público local, que percorre a cidade e pode ser alugado para transporte de congressistas, até a transformação de uma estação de 1824 em um amplo e diversificado restaurante temático, especializado em comida típica e produção de cerveja. Assim é o Bayerischer Bahnhof, que serve, entre outras delícias, o kartoffelkneoedel, um bolinho feito de batata, ovo e farinha, recheado com queijo e servido com suculento molho de carne. Para acompanhar, uma Gose original, produzida na casa, sob a lei da pureza de 1516, para ser degustada nos jardins do estabelecimento, um autêntico biergarten, ou jardim da cerveja.
Arquitetura e letras no centro histórico
Cidade plana, ideal para boas caminhadas e felizes descobertas, Leipzig tem quase 900 anos de fundação. O centro histórico é a região mais charmosa, com grande concentração de prédios antigos de arquitetura clássica. Todos foram recuperados após um intenso bombardeio que destruiu 60% da área urbana durante a Segunda Guerra. Hoje oferece diversas opções de compras, desde modernos shoppings centers até lojinhas de brinquedos de madeira e antiquários. A região é fechada para circulação de veículos e é a residência de três mil moradores. O fluxo de turistas é grande em bares, restaurantes e cafés, outro patrimônio turístico de Leipzig que também guarda pitadas de emoções.
Dois estabelecimentos chamam a atenção do visitante no centro histórico. O Riquet Café impressiona pela linda fachada, ornamentada em mosaicos coloridos, em estilo art nouveau, com elementos da arquitetura chinesa. Foi originalmente construído em 1908 e totalmente restaurado.
Mas diversão mesmo está nos salões do Auerbachs Keller, no subsolo da Mädler Passage, nas imediações da praça do mercado. O lugar existe desde 1525, e começou com um balcão instalado no porão da casa do médico e professor Heinrich Stromer Von Auerbach para servir estudantes. Assim, o porão de Auerbachs (Auerbachs Keller) tornou-se um dos bares mais famosos de Leipzig. Foi frequentado pelo escritor Johamn Wolfgang Von Goethe, quando estudava na cidade. E deve ao dramaturgo boa parte da fama que desfruta no mundo.
O ambiente do Auerbachs Keller faz parte do cenário da primeira parte da peça Fausto, de Goethe. A passagem em que o erudito é desafiado por estudantes bêbados a tirar um barril de vinho de dentro da taverna – ação só possível com a força de 20 homens – faz parte do ritual gastronômico do lugar. Depois de um jantar sem pressa no Fasskeller (porão do barril), o garçom mais velho da casa reconta a obra de Goethe, com direito a encenações que incluem escaladas no barril gigante, que faz parte da decoração da sala. Em seguida, os comensais são convidados a assumir o papel de Fausto e subir – e depois, descer – no barril. A performance termina com um pequeno ritual de rejuvenescimento, realizado no que seria o porão da antiga cozinha, sob efeito de uma poção mágica (vinho) e rituais místicos, representados por uma coreografia engraçadinha, enquanto todos entoam uma canção divertida. Se risada rejuvenesce, todos saem mais novos do restaurante, que já serviu 91.980.000 clientes desde a sua inauguração.

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