O sítio arqueológico de Stonehenge (próximo da cidade de Amesbury) constitui o lugar preferido de nove entre dez seguidores de seitas pagãs que acontecem de estar na Inglaterra no começo do verão. Esse impressionante círculo de pedras, localizado a 60 quilômetros de distância de Bath, intriga, entusiasma e confunde visitantes já há vários séculos e parece que vai continuar causando o mesmo efeito ainda por muito tempo.
Antigamente, acreditava-se que Stonehenge era um santuário druida, onde antigos povos celtas praticavam ritos pagãos que incluíam canibalismo e outras coisas do gênero. Até hoje os mais variados tipos de seguidores de rituais pagãos – sujeitos que adoram o Sol, a Terra e a Lua – continuam peregrinando para o local, para celebrar sua forma de ver o mundo. O solstício de verão é especialmente privilegiado por hippies, naturalistas e outras tribos – só neste ano 19 mil pessoas passaram a madrugada cantando e dançando em torno do monumento.
Outras teorias – ou chutes – divulgados no decorrer dos anos colocam como responsáveis pelo monumento os vikings, os fenícios, povo desaparecido de Atlântida e até o mago Merlin e o próprio Satanás. Posteriormente, descobriu-se que o atual Stonehenge é a terceira construção surgida no local, todas as três feitas há mais de 3.500 anos. A formação do círculo de pedra, que leva cuidadosamente em conta a posição do Sol e da Lua nos dias que dão início ao verão, indica que a construção estava relacionada com algum tipo de ritual ligado às épocas de colheita ou com a realização de estudos astronômicos. Mas o fato de que o local inclui algumas covas coletivas e outros atributos ainda pouco explicados só serve para aumentar a confusão.
Seja como for, a vista do complexo segue sendo impressionante. Originalmente, a construção era composta por 25 grupos de três imensos blocos de pedras azuis, duas em pé e uma suspensa sobre elas; cada grupo cuidadosamente disposto a fim de formar um círculo completo. No interior havia uma outra construção, com cinco grupos de pedra arrumados em forma de ferradura; outras pedras foram dispostas em lugares cuidadosamente selecionados nos arredores, sempre levando em consideração a posição do Sol ou da Lua. O círculo hoje está bastante avariado, mas o que restou constitui uma eloqüente mostra de que os povos pré-históricos eram bem menos primitivos do que a gente tende a acreditar.
Para chegar a Stonehenge é preciso alugar um carro ou pegar uma das excursões que saem das cidades mais próximas, como Salisbury ou Marborough. As autoridades responsáveis pela preservação desse Patrimônio da Humanidade, como Stonehenge foi designado pela Unesco, já não permitem que as pessoas perambulem pelo seu interior – a visita é feita pelo entorno, dando uma volta completa a uma distância segura das pedras. A preocupação é compreensível – o caráter místico do lugar faz com que muita gente considere irresistível a tentação levar um pedaço das inestimáveis pedras azuis para usar como amuleto da sorte, e não são poucas as casas mais antigas nas redondezas que possuem objetos feitos com nacos de pedra suspeitamente azuladas.
É certamente difícil argumentar que esses fragmentos foram encontrados naturalmente nas redondezas, pois as pedras utilizadas para construir Stonehenge não são nativas, mas foram trazidas do País do Gales. Como tamanhos blocos, que chegam a ter mais de 7,50 metros de altura e pesar 40 toneladas, fizeram a jornada de mais de 350 quilômetros até a planície de Salisbury continua sendo um mistério dos mais impenetráveis. O mais provável é que tenha sido de barco; mas, para se ter uma idéia da dificuldade, basta observar que em 2001 um grupo de pesquisadores conseguiu levantar 100 mil libras (mais de R$ 400 mil) para tentar repetir o feito com uma só pedra e viu o projeto ir literalmente por água abaixo logo no começo da viagem, quando o barco afundou perto de Pembrokeshire.
Por isso não é difícil achar sujeitos mais empolgados que argumentam que só com a ajuda de poderes sobrenaturais – ou extraterrestres – os nossos simpáticos beakers teriam conseguido primeiro transportar as brutas, e, depois de moldá-las, erguê-las e ainda equilibrar, qual castelo de cartas, uma terceira pedra sobre as duas anteriores. Mas estudiosos da Open University britânica avançaram recentemente a tese de que não se tratou nem de engenho nem de ajuda do além, e sim de acaso – as pedras teriam sido levadas para o local muito antes, transportadas pelo derretimento de geleiras durante uma Era Glacial.
Você certamente pode confiar nos cientistas para tirar a graça dos mais charmosos monumentos. (RA)
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