Turismo

Casos de sarampo aumentam mais de 600% na Europa e acende alerta para países e turistas

Amanda Milléo
20/08/2018 17:21
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Turistas em viagem para Europa ou estados com casos de sarampo confirmados devem se vacinar contra a infecção (Foto: Carlos Bassan / Fotos Públicas / arquivo / Gazeta do Povo)

Mais de 41 mil crianças e adultos na Europa foram infectados pelo sarampo entre os meses de janeiro a junho de 2018, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O número assusta se considerarmos índices de 2016: naquele ano, foram 5.273 casos — um aumento de mais de 600% em menos de três anos. Em 2017, foram 23.927 pessoas infectadas.
Considerado extremamente contagioso, o sarampo pode ser prevenido através da vacina tríplice viral, que deve entrar na lista de prioridades dos turistas que forem especialmente para França, Grécia, Itália, Rússia, Sérvia, Geórgia e Ucrânia.
Quem recebeu duas doses da vacina contra o sarampo (que também protege contra a rubéola e a caxumba) na infância, não precisa se preocupar com uma nova dose do imunizante. Exceto se não for possível comprovar a vacinação.
“Todas as pessoas que forem viajar para onde estão ocorrendo casos confirmados, em espaços de grande circulação, é importante que sigam para a unidade de saúde e façam a vacinação entre 10 a 15 dias antes da viagem”, explica João Luís Crivellaro, chefe do Centro Estadual de Epidemiologia do Paraná.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, crianças, adolescentes e adultos até os 29 anos de idade devem receber duas doses da vacina. Caso tenha recebido apenas uma, é preciso reforçá-la, seja a pessoa adolescente ou adulto.
Entre os turistas de 30 até 49 anos, é exigida pelo menos uma dose da vacina tríplice viral, e há uma explicação para isso: “Boa parte da população nessa faixa etária ou já teve a doença ou, de uma forma ou de outra, teve contato com o sarampo ou com a vacina contra o sarampo em campanhas anteriores”, explica Crivellaro.
O mesmo vale para os turistas acima dos 50 anos de idade. “Como a facilidade de transmissão do sarampo é enorme, sendo feita pelo ar, tosse, espirro e fala, é muito provável que a população com mais de 50 anos, quase na sua totalidade, já tenha tido a doença ou o acesso à proteção”, reforça.

Leve sempre a carteirinha

Ainda que a vacinação contra o sarampo não seja exigida para a entrada em outros países, a proteção contra a tríplice viral garantirá a saúde do viajante e de quem estiver próximo a ele. Além disso, carregue sempre a carteirinha de vacinação, pois serve de documento.
“A única exigência a nível mundial é com relação à vacinação contra a febre amarela, que a pessoa pode adquirir a carteirinha internacional junto à Anvisa. Mas, mesmo sendo apenas recomendada a vacinação contra o sarampo, leve a carteirinha sempre nas viagens, especialmente se for visitar os estados brasileiros em risco”, explica João Luís Crivellaro, chefe do Centro Estadual de Epidemiologia do Paraná.

Riscos na nova dose?

Não há qualquer risco envolvendo o reforço da vacinação contra o sarampo, conforme orienta o Ministério da Saúde. Mesmo se a pessoa tiver sido vacinada na infância, mas não tem certeza ou não tem o registro da imunização, a vacinação é indicada e essa nova dosagem não deve gerar nenhum impacto na saúde. 

Mais vacinas

Para confirmar a necessidade de outras vacinas, exigidas de acordo com o país que será visitado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) traz no site um sistema de orientação ao viajante. Acesse aqui.

Sarampo em alta no Brasil

Até o momento, apenas 16,07% das crianças indicadas a receber a vacina contra o sarampo foram imunizadas pela campanha de vacinação do Ministério da Saúde de 2018 — bem abaixo da meta de vacinar, pelo menos, 11 milhões de crianças do público-alvo. A campanha acaba no dia 31 de agosto.
No país, diversos estados registram surtos do sarampo, com destaque para Amazonas, que tem 910 casos confirmados (outros 5.630 em investigação), e Roraima, com 296, de acordo com números mais recentes divulgados pelo Governo Federal. Foram registrados, ainda, seis mortes decorrentes da infecção em 2018.
Todos os casos no Brasil estão relacionados à doença importada da Venezuela, pois o genótipo do vírus que circula por aqui, o D8, é o mesmo do país vizinho, que vem enfrentando surto da doença desde 2017.
Há ainda casos isolados do sarampo nos estados de São Paulo (1), Rio de Janeiro (14), Rio Grande do Sul (13), Rondônia (1) e Pará (2).
“Às pessoas que estiverem retornando desses países ou estados com casos confirmados, fiquem atentas a qualquer tipo de sintoma, como estado gripal, dor de garganta, lacrimejamento, conjuntivite, coriza, tosse e, principalmente, manchas pelo corpo. Procure uma unidade de saúde para analisar e receber o diagnóstico”, reforça João Luís Crivellaro, chefe do Centro Estadual de Epidemiologia do Paraná.

Sintomas do sarampo

Considerada uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave e extremamente contagiosa, o sarampo pode trazer complicações infecciosas que aumentam de gravidade dependendo da fragilidade no sistema imunológico do paciente.
De forma geral, fique atento aos seguintes sinais:
  • Febre alta, acima dos 38,5ºC
  • Exantema maculopapular generalizado (manchas pelo corpo);
  • Tosse;
  • Coriza;
  • Conjuntivite;
  • Manchas brancas na mucosa bucal conhecida como sinal de koplik, antecedendo de um a dois dias antes do aparecimento do exantema.
  • O diagnóstico é clínico, confirmado pelo exame de detecção de anticorpos IgM, identificado no exame de sangue, durante a fase aguda da doença, nos primeiros dias. A transmissão se dá pelas gotículas de saliva expelidas na fala, espirro, tosse e respiração, e a principal forma de prevenção se dá através da vacina tríplice e tetraviral.
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