Turismo

Tesouro egípcio resiste ao caos

Roberto Couto
13/05/2010 03:04
Mas o país do Norte da África tem muitos outros apelos, que vão além das pirâmides e da Esfinge, localizadas em Gizé, cidade colada à capital. Ainda no Cairo, são imperdíveis o Museu Egípcio, onde está a máscara do faraó Tutancâmon; e o bairro medieval, com seu animado comércio e belas mesquitas.
E como muitos outros incríveis monumentos que se espalham Egito estão próximos às margens do Nilo, provavelmente, o famoso rio será o seu companheiro no decorrer da viagem. No roteiro, Luxor, uma das capitais do Egito antigo; o Vale dos Reis e Assuã. Para encerrar com chave de ouro, siga mais ao sul, até Abu Simbel. Lá o turista irá deslumbrar-se com templos construídos por ordem de Ramsés II. Pode ter certeza, essa esticadinha vale a pena e irá tornar ainda mais inesquecível um tour pela terra dos faraós.
Espírito aberto
Não adianta. Quem chega ao Cairo só pensa numa coisa: ver as pirâmides e a misteriosa Esfinge (o adjetivo “misteriosa” é praticamente inerente). Mas antes mesmo de visitar os impressionantes monumentos, o turista perceberá que a cidade, inacreditavelmente, avançou em direção a eles. Sem exagero, é possível chegar a pé até as construções partindo de algumas ruas, já que muitos hotéis estão ao lado do sítio arqueológico. E se não quiser ir caminhando, pegue um táxi, mas combine o preço antes, porque a corrida será bem curta.
Chegado, enfim, o momento mais esperado pelos visitantes, vá de espírito aberto para uma maratona de pequenos percalços, que podem causar alguma irritação, mas nada que diminua o encanto que esse trecho do deserto deixará na lembrança. A primeira surpresa é descobrir que o movimento em torno das pirâmides e da Esfinge não se restringe a camelos. Uma pista de asfalto, por onde trafegam muitos ônibus e vans, liga as principais atrações de Gizé. Chega a ser difícil fazer uma foto das pirâmides sem que apareça um veículo em primeiro plano – literalmente, estacionado ao lado das monumentais construções.
Passado o impacto de ter de se conviver com o tráfego intenso junto às pirâmides, o visitante deve agora ficar atento ainda aos vendedores ambulantes, que vão “colar” e tentar empurrar muitas bugigangas; e aos donos de camelos que circulam pelo complexo à procura de turistas desavisados. O tempo todo o visitante será “convidado” a levar para casa uma fotografia com a clássica pose sobre o animal, com uma das pirâmides ao fundo. Nada demais, não fosse uma pegadinha: os nativos oferecem aos visitantes a chance de subir na corcova pela pechincha de 1 euro. Mas feita a foto, é hora de descer do animal e, aí, vem a surpresa: o dono do dromedário pede um pagamento extra e avisa que são 10 euros.E, enquanto o visitante não fizer o pagamento, o bicho ficará imóvel.
Mas apesar dos percalços, ver os monumentos de Gizé é um programa imperdível. É emocionante ver as construções, de pé, sem reclamar das constantes agressões, há 4 mil anos. A pirâmide mais alta (146 metros) foi construída a mando do faraó Queóps e equivale a um prédio de 50 andares. Levou cerca de 30 anos para ser construída e estima-se que 100 mil homens foram necessários para erguer a última morada do governante egípcio. Os faraós seguintes, Quéfrem e Miquerinos, respectivamente filho e neto de Queóps, construíram suas pirâmides um pouco mais ao sul. A distância entre elas não é grande, mas a caminhada pela areia e sob o sol forte pode ser bem cansativa. Os que não sofrem de claustrofobia, podem entrar nas pirâmides, mas o calor dentro é insuportável.
O passeio pela esplanada deve ser encerrado com alguns minutos de contemplação da Grande Esfinge, que – para nosso espanto – está a 500 metros de um restaurante fast food. A figura de 57 metros, com corpo de leão e cabeça humana, é uma das maiores estátuas lavradas em uma única pedra do mundo e, realmente, forma com as pirâmides um conjunto de tirar o fôlego.