Turismo

Todo viajante curte explorar as atrações da Serra Gaúcha

Anna Paula Franco
03/10/2013 03:02
É quase impossível chegar a Gramado e não enrolar a língua para pronunciar o nome de algum estabelecimento comercial ou ponto turístico. A cidade de colonização europeia – especialmente alemães e italianos – deixa claro, até nas fachadas, as raízes que deram origem a um dos destinos turísticos mais visitados do país. Batizados com nomes em alemão, italiano ou francês, lojas, restaurantes, hotéis, cafés, museus, parques e uma infinidade de atrações turísticas desafiam a pronúncia correta do visitante. Mas o que poderia parecer esnobismo, se revela autêntico, como as receitas de cucas alemãs, tortas, pães, geleias e queijos que podem ser degustados com fartura nas mesas da Serra Gaúcha.
A beleza do Vale do Qui­­lombo, região onde Gra­­mado está localizada, a 200 km de Porto Alegre, pode ser explorada por temas. Produção vinícola, natureza, aventura, diversão, gastronomia, história ou religiosidade, para citar alguns exemplos. A cidade recebeu 5,7 milhões de turistas em 2012 e é o destino mais vendido na dudi viagens, portal on-line do site de descontos clickOn, lançado em agosto.
Se o interesse do turista for conhecer mais da história local e dos imigrantes, há opções que ajudam a dar um bom panorama do ritmo de vida dos gaúchos e da rotina dos produtores rurais.
O passeio de Agroturismo é exclusivo da agência Vento Sul, parceira da dudi na cidade. Em uma jardineira antiga, a Princesinha, restaurada para sacolejar com turistas nas irregulares estradas do interior, a excursão percorre propriedades familiares, em que os donos foram preparados para receber os visitantes. No sítio da agricultora Fátima Marcon, por exemplo, o ônibus chega três vezes por semana. Ela e a família tocam a produção orgânica da propriedade, que é vendida em feiras especializadas e usada como matéria-prima para geleias e sucos oferecidos durante as visitas.
O Agroturismo tem três roteiros diferentes. O que percorre a Linha 28, Mergulho no Vale, visita ainda o Ecopark, área de mata nativa recuperada pela família de Leandro Sperry, com 3 mil metros de trilhas, quatro cascatas para observação e um restaurante de confort food, o Bêrga Mótta, que funciona aos fins de semana.
A próxima parada será o alambique de Romeu Rossa, com produção caseira de cachaça de uva e cana de açúcar. O tour dura quatro horas e termina na casa centenária da família Barreta, onde o farto café colonial é embalado por um sanfoneiro muito animado.
Tradições locais
Outra duas atrações regionais mostram mais das tradições culturais que marcam a colonização da região. A Noite Gaúcha, na Churrascaria Garfo e Bombacha, em Canela, resume a comida, a música, o vestuário e os hábitos do gaúcho em uma única oportunidade. Recepcionados por uma cuia de chimarrão, os comensais poderão apreciar um autêntico churrasco local, com apresentação de danças típicas, em uma sessão original de CTG – Centro de Tradições Gaúchas.
Em Nova Petrópolis, a tradição é contada pela culinária e a dança alemãs. A Noite Alemã, realizada no Restaurante Torquês, é um desafio gastronômico. Embalados pela música germânica, os convidados podem optar por dois tipos completos de bufê: o do café colonial ou do jantar alemão. Todas as delícias estarão lá, do joelho de porco à cuca de banana, sem esquecer o indispensável chá de boldo para encerrar. O grupo folclórico se encarrega de animar a noite, com demonstrações de habilidade, força e ritmo.
Cidades vizinhas completam o roteiro
A Rota do Vinho e da Uva na Serra Gaúcha envolve 47 municípios. Em apenas uma viagem pela região, é possível visitar diferentes cidades. Com Gramado como ponto de apoio, o turista faz tours em Canela, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Nova Petrópolis, Garibaldi e Carlos Barbosa, para citar algumas. O tema pode ser o vinho ou as belezas naturais, mas sempre vai ter algo diferente para conhecer por ali.
Para aproveitar o dia nos passeios, as saídas são bem cedo. O tour da Maria Fu­­maça, por exemplo, parte de Bento Gonçalves, que fica a duas horas de Gramado. A bordo do trem de 1947, os passageiros percorrem menos de 30 km de estrada de ferro até Garibaldi e Carlos Barbosa, enquanto dançam e se divertem com as apresentações folclóricas encenadas por grupos de teatro dentro dos vagões.
Entre as opções de visitação em Caxias do Sul, duas são recomendadas. No centro da cidade, a Igreja de São Pelegrino encanta visitantes com as pinturas de Aldo Locatelli, artista imigrante italiano que assumiu a tarefa de decorar o interior do templo em 1951. Os painéis em tela da Via Sacra são marcantes e trazem elementos da própria rotina do pintor durante a confecção da obra. Vale procurar a lata de café, a vassoura e a bota de agricultor que Locatelli inseriu nas passagens. Imagens da Santa Ceia e do Juízo Final são as mais encantadoras. No teto, figuras menores desafiam os olhos do observador, com detalhes em três dimensões.
Além do talento de Loca­­telli, a igreja ainda guarda outras obras de arte, como a réplica da Pietá, doada pelo papa Paulo VI, em 1975, pelo centenário da imigração italiana no Rio Grande do Sul; e as portas de bronze criadas por Augusto Murer, escultor de Belluno, Itália, e que ilustram cenas da imigração.
Ainda em Caxias, será inevitável conhecer mais da produção de vinho, que coloca a região no mapa da vinicultura do país. Uma das propriedades que recebe visitantes, inclusive na época da colheita de uva, a vindima, em janeiro, é a Vinícola Tonet, de Ivo Tonet, de 70 anos. Depois de conhecer o local da produção de 200 mil litros por ano e degustar os vinhos da família, o visitante ainda pode experimentar um almoço italiano original, com direito a polenta e macarrão caseiro, com um molho de tomate inesquecível.
A jornalista viajou a convite da dudi viagens, agência on-line da clickOn.

Serra Gaúcha