Turismo

Tour sacro-santo em Curitiba

Rosy de Sá Cardoso
29/03/2012 03:02
Templos e igrejas sempre estão no roteiro do viajante. Simples ou suntuosas, edificações dedicadas às religiões atraem visitantes de todos os credos. Seja pelo histórico da construção, pelos episódios testemunhados em seus altares ou mesmo a finalidade das obras – como o mausoléu indiano Taj Mahal e sua consagração ao amor do imperador Shah Jahan por sua esposa Aryumand Banu Begam – casas sacras são pontos turísticos: um templo budista, a majestosa catedral, uma gruta milagrosa. Seu encanto e história são parte importante dos costumes de um povo. Quem visita ou mora em Curitiba pode viver a mesma emoção. Ou muitas, a contar pela variedade de locais sagrados, dedicados a diferentes religiões. São recantos usados para recolhimento, reflexão, introspecção, momentos de silêncio ou de alegrias, como casamentos ou batizados. A proposta deste roteiro é ampliar a via-sacra tradicional – Catedral Basílica, Igreja da Ordem, do Rosário e Santuário Perpétuo Socorro, para citar as mais visitadas – e sugerir novos cenários. Esta seleção contempla exemplares curiosos pela data da sua fundação, interesse arquitetônico, histórico ou pela doutrina que representam. Algumas, como a capela dedicada à Nossa Senhora da Glória, no Alto da Glória, merecem uma menção especial, ainda que não possa ser visitada. Construída em 1895 pela família Leão e doada à Mitra Diocesana, o lugar está fechado e aguarda reforma para recuperação da depredação causada pelo abandono. O mato alto no jardim e os vidros quebrados escondem muito da história da sociedade curitibana do fim do século 19, quando a Capela do Alto da Glória era a sexta igreja católica da capital e disputada para eventos religiosos.
Católica mais antiga
A igrejinha do Tamanduá, nos Campos Gerais, tem registros de construção entre 1727 e 1730. Essa obra substituiu a primeira capela, de frades carmelitas, erguida na segunda metade do século 18 e que recebeu uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, de madeira, com 120cm de altura, vinda de Portugal em 1709.
Preces de italianos
Em 1878, sem sucesso na adaptação ao clima do litoral, as primeiras famílias de imigrantes italianos subiram a serra. A ocupação em Curitiba foi maior em Santa Felicidade e na Colônia Dantas, primeiro nome do Bairro Água Verde. Na segunda metade do século 19, ainda não havia uma igreja católica nas imediações. Foi quando os imigrantes, como Luigi e Anna Moletta, decidiram construir uma capelinha na esquina das atuais avenidas Água Verde e República Argentina. Com pedras e tábuas, Anna ergueu o pequeno abrigo onde rezava todos os dia para a Imaculada Conceição. Uma nova capela foi construída na década de 1960. O lugar é aberto diariamente e, apesar de sua pouca capacidade, recebe todos os serviços religiosos católicos.
Serviço: Capelinha Nossa Senhora da Conceição, no Água Verde. Informações pelo fone 3243-7694.
Acervo religioso
O Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba, inaugurado em 1981, está instalado anexo à Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas, a mais antiga da capital (1737). Seu acervo religioso e histórico teve origem em quatro igrejas do centro histórico.
Lembranças do Egito
Mesmo quem nunca esteve no país dos faraós vai reconhecer ícones como as pirâmides, a Esfinge, os templos de Luxor, o Rio Nilo, as múmias e tantas outras referências ao entrar no templo da Amorc (sigla para Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz).Oito diferentes prédios formam o conjunto iniciado em 1960. Filosofia que proporciona o conhecimento sobre artes, ciências e civilizações em geral, em especial os ensinamentos sobre fraternidade e igualdade entre os povos, a Amorc é mais ligada ao estudo do que à religião, não impõe crenças e não impede que seus simpatizantes mantenham suas doutrinas religiosas de origem. As experiências são compartilhadas em rituais e meditações coletivas. O templo reúne museu, biblioteca, jardim e auditório.
Serviço: Amorc. Aberta para visitas de segunda a sexta-feira, em horário comercial e aos sábados, a partir das 14 horas. Meditações após as 16 horas. Informações pelo fone (41)3351-3093.
Santuário do silêncio
Em 1914, quando eclodiu na Europa a Primeira Guerra, o padre José Kentenich, diretor espiritual do Seminário Palotino, em Schoenstatt, na Alemanha, perdeu o local de reunião dos jovens seminaristas. Passou a ocupar uma capelinha abandonada. Foi o começo da história que transformou o pequeno templo em um lugar de graças, e deu início a um movimento de renovação religioso-moral que se espalhou pelo mundo. Os Institutos Seculares de Schoenstatt estão presentes em 80 países, em capelas que lembram sua origem. Em Curitiba, localizado em amplo terreno com árvores e jardins bem cuidados, o santuário é uma joia que merece a visita. Quem entra ali não pode sentir menos do que um imenso bem-estar. O lugar, inaugurado em 1985, tem capacidade para 40 pessoas. Residência de cinco religiosas, da ordem das Irmãs de Maria de Schoenstatt, lá são oficiadas missas todos os dias: de segunda a sexta-feira, no pequeno templo; aos sábados e domingos, em amplo salão que também é utilizado em reuniões e encontros religiosos.
Serviço: Santuário de Nossa Senhora de Schoenstatt. Rua Padre José Kentenich, 552, no Campo Comprido (acesso pela Rua Eduardo Sprada). Aberto diariamente, das 7h30 às 18h30. Informações pelo fone (41) 3279-2391.
Quase centenária
A pedra fundamental do Templo Evangélico Luterano foi lançada em 11 de agosto de 1912. Seis meses depois era inaugurada uma pequena igreja para atender à Comunidade de Cristo, fundada em 1901. Sua origem remonta ao final do século 18, quando foi criada uma escola alemã evangélica. O lugar tem capacidade para 120 pessoas em seus quase centenários e pesados bancos de madeira maciça, que serviram aos alunos da antiga escola alemã. A mesma idade tem o órgão de foles, cujo som ainda se faz presente no recinto, nas mais variadas funções religiosas, incluindo as sociais e festivas.Tranquila entre árvores e jardins, verdadeiro recanto em meio ao movimento da cidade, a igreja passa quase despercebida do transeunte na calçada. Mas, uma vez descoberta, seu entorno é um convite – é o lugar ideal para sentar-se à sombra, para descanso e meditação. Como o portão está sempre fechado, o melhor é ligar antes da visita.
Serviço: Templo Evangélico Luterano. Rua Inácio Lustosa 309. Informações pelo fone (41) 3223-8696.
Sem visitas
Em maio de 2008, os mórmons inauguraram em Curitiba uma imponente sede da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, no bairro Campo Comprido. O lugar permaneceu aberto por um curto período de visitação. Agora, só podem entrar os praticantes daquela religião.