Brasileiros fãs de neve precisam correr. Daqui a cinco semanas, em outubro, a paisagem branca que encanta os olhos e encobre a Cordilheira dos Andes vai derreter e encerrar mais uma temporada de esqui, snowboard, temperaturas negativas, chocolate quente, cobertores e lareiras no Hemisfério Sul.
Mas, antes do degelo, em setembro, os hotéis, restaurantes e lojas dos destinos de inverno na Argentina e no Chile ficam bem mais baratos e não lotam tanto como em julho, mês de férias escolares no Brasil.
Fora da temporada, pistas de esqui – geralmente abarrotada de crianças –, viram paraísos quase privativos, apenas com guias, alguns esquiadores profissionais e turistas que deixaram para viajar na baixa temporada. É assim em Bariloche, San Martin de Los Andes, Villa La Angostura, Chillán, Valle Nevado e Portillo.
Localizada a 164 quilômetros (duas horas de carro) de Santiago, Portillo é uma das estações mais tradicionais do continente. Distante de qualquer núcleo urbano, a principal atividade do turista no complexo é esquiar.
A equipe da estação está preparada para que o visitante curta o esporte da melhor maneira. Inaugurado em 1949, o hotel – que recebe 450 hóspedes por semana – é um cruzeiro de neve encravado nos Andes. São 14 meios de elevação (teleféricos) e 34 pistas, oito delas para iniciantes.
Aprendizes no snowboard e no esqui dificilmente passarão destas pistas, que já oferecem boas doses de emoção, adrenalina e risco. Em um lugar em que boa parte dos hóspedes é brasileira, sem intimidade com gelo abundante, ver pessoas de muletas no café da manhã será uma das cenas mais corriqueiras da semana.
A aventura em Portillo está já na estrada. Dali é possível ver o Aconcágua, o pico mais alto das Américas, com 6.960 metros de altitude. Mas é no trecho final, quando o ônibus, a van ou carro sobe 2 mil metros de altitude, que a emoção começa. Os motoristas são obrigados a virar sinuosamente 29 vezes num lugar batizado de Los Caracoles, a apenas 3 quilômetros da fronteira entre o Chile e a Argentina.
Em Portillo, os pacotes para uma semana são vendidos a US$ 1.950 mil por pessoa. O valor dá direito a um quarto sem televisão (filosofia do hotel), pensão completa e todos os meios de elevação. Aulas de esqui, equipamentos e bebidas são cobradas à parte. Além do Hotel Portillo, há duas outras opções de hospedagem: os alojamentos Octagon e Inca, com quartos coletivos e preços menores.
A rotina desse mundo branco e gelado oferece muita atividade e pouco estresse para os hóspedes. Durante o dia, esquiadores com pouca experiência (incluindo crianças) se reúnem ao redor de instrutores para aprender a lidar com a neve.
No almoço, como alternativa ao restaurante tradicional do hotel, é possível pegar o teleférico e subir até o Tio Bob’s, localizado a 3,3 mil metros de altitude, para comer um delicioso hambúrguer. Portillo está a 2.800 metros acima do nível do mar. A vista é deslumbrante.
No fim do dia, as piscinas aquecidas a 38ºC, localizadas em frente à Laguna del Inca – um dos principais cartões-postais da estação –, ficam lotadas. Sauna, sala de ginástica, cinema, sala de jogos, ioga e alongamento também fazem parte da programação. Cruzar com a Radska, a cadela São Bernardo que mora no hotel, é outro momento divertido. Embora ela não seja brincalhona, rende boas fotos.
À noite, uma boa dica é ir ao La Posada, balada próxima ao resort, frequentada por funcionários, com cerveja barata como as chilenas Escudo e Cristal, e vinhos do país no cardápio. A música típica cumbia movimenta a pista abarrotada. No hotel, a noite começa no bar com música ao vivo e termina na balada. Às sextas, os hóspedes ainda podem admirar a descida de esquiadores pelas montanhas segurando tochas.
O jornalista viajou a convite do Hotel Portillo e LATAM.
Temporada de neve agora é no Hemisfério Norte
A neve no Hemisfério Sul termina em outubro. Se os quatro meses de temporada por aqui não forem suficientes, ainda é possível esquiar no Hemisfério Norte. As opções são muitas: Estados Unidos, Canadá, França, Suíça, Itália… O viajante pode escolher a que melhor combina com o perfil e habilidade e trocar o calor do verão brasileiro pelo frio das montanhas.
Nos Estados Unidos, Aspen, no Colorado, é o destino que mais atrai brasileiros. Durante a temporada de inverno, de novembro a março, a população da cidade – que tem seis mil habitantes – chega a ficar sete vezes maior. Além da neve, o visitante ainda pode conferir bons museus, restaurantes e lojas. No Canadá, o destaque é Whistler, que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010.
Como acontece na América do Sul, onde a Cordilheira dos Andes abriga as melhores pistas, na Europa, os Alpes – cordilheira localizada entre a França, Suíça, Alemanha, Itália, Eslovênia e Áustria – são referência para quem pratica esportes de inverno.
Courchevel, na França, e Zermatt, na Suíça, são os destinos de neve do continente europeu mais populares, com grande presença de brasileiros. A estação de Courchevel, localizada entre Mont Blanc e as montanhas Les Ecrins, tem 600 quilômetros de pistas, uma das maiores da Europa. Em Zermatt, quase metade da população de 6 mil habitantes fala português, o que facilita a recepção de turistas brasileiros. O destino também é famoso por proibir a circulação de veículos. Os visitantes precisam andar a pé ou usar charretes para se locomover na neve.
Para não cair
Algumas dicas para curtir a primeira viagem sem imprevistos para um destino gelado.
Antes de viajar
• Seguro de assistência médica é sempre recomendado para qualquer viagem, por garantir ao turista atendimento sem burocracia e altos custos, em caso de acidentes. Para destinos de aventura e esportes radicais, ele é indispensável. Remoção e atendimento em lugares isolados saem mais caro do que uma apólice, que custa, em média, 5% do valor do pacote.
Antes de esquiar
• O vestuário em camadas é o mais indicado. A primeira, próxima à pele, deve ser uma camiseta de microfibra, porque o algodão fica molhado com o suor. Por cima, uma peça de fleece, que funciona como isolante térmico. Para cobrir tudo, uma jaqueta impermeável, resistente à umidade e ao vento.
• Filtro solar e protetor labial mantêm a pele hidratada e protegida. O vento pode provocar ressecamento. E o sol, refletido na neve, também tem potencial para queimaduras.
• Alongamento e aquecimento muscular aumentam o rendimento durante a prática e ajudam a evitar lesões. O ideal é fazer movimentos básicos, priorizando coxas e coluna, e exercícios de equilíbrio.
• Melhor evitar riscos desnecessários e aprender o esporte com um instrutor especializado. É ele quem vai ensinar a diminuir a velocidade e frear o esqui, antes de se aventurar nas pistas.
Na pista
• Atenção à sinalização e respeito aos outros esquiadores.
• A velocidade deve ser controlada, com movimentos de acordo com as condições da pista e a capacidade e habilidade do esportista.
• Ultrapassar outros esquiadores é permitido, desde que os movimentos não assustem ou atrapalhem os demais.
• É preciso atenção ao entrar, cruzar ou descer a pista. Ao parar, cuidado para não obstruir o caminho dos outros.
• Nas quedas, é melhor sair da pista o mais rápido possível.
• Em caso de acidente, o ideal é prestar socorro, comunicando a equipe de resgate. Peça aos demais esquiadores para buscar ajuda, se estiver machucado.
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