“WLS. É um lindo dia em Chicago. Temperatura em torno de 25°C”, avisa o locutor do rádio. Assim começa o filme Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes, clássico da Sessão da Tarde nos anos de 1980: o adolescente Ferris Bueller finge estar doente para não ir à escola e, acompanhado pela namorada, Sloane, e o melhor amigo, Camaron, tira o dia de folga para aproveitar o que Chicago oferece.
Terceira maior cidade dos Estados Unidos, com 2,7 milhões de habitantes, Chicago transborda arquitetura, música, cultura, esportes, política e indústria. Fundada em 1833, às margens do Lago Michigan, a capital não oficial do Meio Oeste americano também é chamada de a Cidade dos Ventos, por causa dos ventos que sopram do lago.
Ainda fora do circuito dos brasileiros que viajam aos Estados Unidos, Chicago, the second city (“a segunda cidade”, em referência a Nova York), tem do jazz ao blues, do basquete ao baseball, de museus a parques, da arquitetura arrojada aos cenários decadentes dos anos 1920, quando o mafioso italiano Al Capone dominava a cidade e guerreava contra Eliot Ness e seu grupo de intocáveis.
Arquitetour
Quem desembarca no aeroporto Chicago O’Hare impressiona-se antes de o avião pousar. Na aproximação, blocos enormes de concreto armado surgem no horizonte. Berço do arranha-céu, Chicago, na segunda metade do século 20, tornou-se referência mundial em urbanização e arquitetura. Destruída após um incêndio em 1871, arquitetos do mundo inteiro invadiram a Cidade dos Ventos para reconstrui-la. Frank Lloyd Wright, Helmut Jahn e Mies van der Rohe foram alguns dos que lá deixaram obras espetaculares.
Há diferentes formas de conhecer esse compêndio de estilos do século 20. Pode ser a pé, de bike, de barco ou de metrô. A maioria dos prédios está localizada no Loop, região central da cidade. No verão e na primavera, passeios de barco com 1h30 de duração percorrem o rio Chicago, que corta a cidade, passando por diferentes regiões e edifícios, entre eles, o do jornal Chicago Tribune, construído no estilo gótico.
No frio, com máximas negativas no termômetro, a dica é usar o “L”, metrô elevado que circula no Loop. As linhas marrom, laranja e cor de rosa percorrem a área de 5 km2. Um assento no primeiro carro, com vista da janela da frente, ajuda a curtir ainda mais a paisagem.
A maioria dos tours é organizada pela Chicago Architecture Foundation, que mantém uma loja e escritório em frente ao Instituto de Artes de Chicago, na Michigan Avenue. Custam entre US$ 20 a 80 por adulto e a loja é uma das indicações para compra de suvenires descolados até para quem não é arquiteto.
Skyline
A arquitetura, o Lago Michigan, e os grandes parques de Chicago, como o Lincon e o Millennium, formam um panorama urbano que pode ser apreciado de duas formas: a partir do John Hancock Center ou da Willis Tower. É da Willis que o trio de Curtindo a Vida Adoidado contempla a cidade a 452 metros de altura.
Inaugurada em 1974 como Sears Tower, a Willis foi o maior arranha-céu do mundo até 1998, quando foi inaugurada a Petronas Towers, na Malásia. Atualmente, o 8º maior edifício do mundo – e o maior dos Estados Unidos – atrai turistas por causa do SkyDeck, uma estrutura de vidro em que o visitante tem a sensação de estar fora do prédio, a 412 metros de altura.
Embora seja mais baixo, a visão do observatório do John Hancock Center é melhor. Com 344 metros de altura, o prédio está localizado ao lado do Lago Michigan. Num dia de sol, não há nada mais inspirador.
Concreto divide espaço com a natureza
Em Chicago, arquitetura e espaços verdes convivem em harmonia. Dezenas de parques estão disponíveis para moradores e turistas. O mais famoso deles é o Lincon Park, onde fica o zoológico da cidade. São 1,2 animais em 20 hectares.
Na região central, entre a Michigan Avenue e o lago, fica o Millennium Park, inaugurado no início da última década, com vasta área verde, restaurantes, bares e espaço para shows e exposições. É ali que está o Cloud Gate, também chamada de The Bean (o feijão). Obra do artista britânico Anish Kapoor, o Cloud Gate é feita de aço inoxidável, reflete tudo ao redor, principalmente os prédios.
Do lado, ao norte do Millennium Park, fica o Navy Pier. Localizado na borda do lago Michigan, o espaço mistura compras com parque de diversões.
O Lago Michigan é muito aproveitado durante o verão, quando moradores e turistas o utilizam como praia. São 29 quilômetros de orla preparados para receber ciclistas e fãs de caminhadas de fim de tarde.
Arte, ciência e tecnologia
A cidade ainda abriga uma enorme quantidade de museus. Entre eles, alguns do mais relevantes, como o Instituto de Arte de Chicago, na divisa entre o Millenium Park e o Grant Park.
Com mais 250 mil obras, tem uma grande coleção impressionista, com pinturas de Manet, Monet, Matisse, Degas, Renoir e Van Gogh. Pintores norte-americanos fazem parte do acervo, com obras de Jackson Pollock, Grant Wood e Edward Hooper.
Outros museus famosos são o da Ciência e Indústria, que reúne novidades tecnológicas; e o Museum Campus, uma área gigante ao Sul do Grant Park com aquário, planetário e um museu de história natural, o The Field. Não podia faltar um museu sobre arquitetura. Em Oak Park, a antiga casa de Frank Lloyd Wright reúne croquis, projetos e desenhos do famoso arquiteto.
Voo mais barato com conexão rápida
A localização geográfica estratégica da Cidade do Panamá – no meio do caminho entre as Américas do Sul e do Norte, e às margens do Caribe – faz do Aeroporto Internacional Tocumen, também conhecido como Hub das Américas, um endereço para encurtar distâncias. Operado quase que exclusivamente pela Copa Airlines, o aeroporto liga sete cidades do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Recife e Manaus) a oito nos Estados Unidos (Chicago, Miami, Nova York, Los Angeles, Las Vegas, Orlando, Washington e Boston), além de outros destinos em 27 países.
O que torna o voo por ali vantajoso são o preço e o tempo de conexão. O Boeing 737-800 Premium da Copa, que parte às 11h50 de Guarulhos, chega ao Panamá às 16h50 (6h50 de voo). Neste horário, é possível embarcar para qualquer destino dos Estados Unidos e chegar ainda no mesmo dia. As tarifas também costumam ser mais baratas do que os voos diretos. Enquanto a concorrência cobra US$ 1,8 mil para embarcar em julho para Nova York, num voo de 12 horas, o bilhete da Copa custa US$ 1,3 mil para um voo de 14h47, contando o tempo de espera da conexão no aeroporto do Panamá. Todos os voos que partem de São Paulo têm sistema de entretenimento individual, com filmes e música.
Shopping
Um dos terminais com o maior movimento de passageiros internacionais da América Latina, o Tocumen também é um dos grandes duty free do continente.
Para as conexões no país, o brasileiro que viaja a turismo ou a negócios, por um período inferior a três meses, não precisa de visto. Basta apresentar o passaporte com validade mínima de seis meses e o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP), que comprova a vacina contra a febre amarela, com pelo menos dez dias de antecedência da viagem. O aeroporto fica a 20 km do centro da Cidade do Panamá e uma corrida de táxi até lá custa entre US$ 30 e US$ 40.
Música e esportes para todos os estilos
Em Chicago, o som do saxofone está em todas as esquinas e estações de metrô. A cidade do jazz e do blues não deixa a música parar. Músicos credenciados pela prefeitura tocam em todo lugar. Foi ali que Louis Armstrong fez história com seu trompete.
A cena musical de Chicago está no cinema e na literatura. Nos anos de 1950, Sal Paradise e Dean Moriarty (personagens de On the road, do escritor Jack Kerouac) só queriam uma noite insana de jazz. Na década de 1980, os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers, no original), Jake e Elwood Blues, arrasaram num show para salvar um orfanato.
Chicago tem teatros, óperas, casas noturnas e muitos bares. As casas estão localizadas no centro da cidade e perto do Lago Michigan, como The Loop e Gold Coast. Entre as mais lendárias estão o Buddy Guy’s Legends, o Andy’s e o Green Mill Jazz Club, que era frequentado pelo mafioso Al Capone.
Para complementar a agenda, e deixar tudo ainda mais animado, Chicago tem uma grande quantidade festivais que vão desde Lollapalooza, realizado no mês de agosto, até o Festival de Jazz. A cidade lota durante os eventos. Uma dica importante para definir a viagem conforme o período do calendário em que hotéis e restaurantes ficam lotados.
Esportes
Os esportes mais populares dos Estados Unidos têm times de Chicago em suas respectivas ligas. O mais emblemático é o Chicago Bulls, de Michael Jordan. O time, que compete na NBA, venceu seis campeonatos nacionais em oito anos durante a década de 1990. Em todos os lugares da cidade há referências ao Bulls, que na temporada deste ano chegou a semifinal da Conferência Leste.
No hóquei, Chicago tem o Blackhawks, que compete na NHL. No beisebol, o Chicago Cubs, da National League, e o Chicago White Sox, da American League. No futebol americano é o Chicago Bears, que joga na NFL.
Essa democrática salada de times garante uma programação esportiva fixa o ano inteiro. Os jogos são uma grande festa. O ingresso, caro, de US$ 300, para assistir o Bulls inclui apresentações musicais, comediantes e shows artísticos antes da partida e nos intervalos. É muito divertido, mesmo para quem não é fã.
Os jogos de basquete e hóquei são realizados no United Center, arena multiuso com capacidade para 23 mil torcedores. Do lado de fora, está a estátua de Michael Jordan.
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