Turismo

Uma ilha de belas praias, calor e muita história

Sandro Gabardo
27/08/2009 03:04
Apesar de não ser mais uma colônia da Holanda desde 1954, Curaçao ainda está sob o domínio político dos batavos – como território ultramarino. Os loiros europeus estão por toda a parte da ilha. Além deles, turistas norte-americanos e da vizinha Venezuela (distante apenas 60 km) já fazem parte do cenário. Pensando em engrossar o filão turístico, um novo ingrediente vem sendo procurado para essa mistura de etnias: os brasileiros.
Até o fim do ano, o governo de Curaçao vai investir US$ 500 mil para atrair viajantes do maior país da América do Sul. A principal estratégia, que tem o apoio da Gol e de um pool nacional de empresas de turismo, teve início no dia 27 de junho, com a implantação do primeiro voo direto do Brasil para Curaçao, saindo de Brasília – aos sábados, às 15h55. “Esperamos que esse voo traga desenvolvimento a Curaçao e aproxime dois povos que têm história semelhante e que compartilham da mesma paixão pelo futebol”, afirmou o ministro do turismo Eugene Rhuggenaath.
Reformas de hotéis, promoções especiais para brasileiros e o treinamento do comércio local para a chegada dos visitantes sul-americanos fazem parte do pacote de incentivo curaçolenho. Entre as preocupações, pequenos problemas a resolver, principalmente, no quesito hospitalidade. Contra­­riando o estereótipo brincalhão e festivo que se tem em relação ao Caribe, os curaçolenhos são introvertidos e fechados – são os “curitibanos caribenhos”. Muito em função da forte influência holandesa, o tratamento oferecido aos estrangeiros é por vezes frio, inclusive quando se vai às compras na bela capital Willemstad. Os vendedores custam a abrir um sorriso.
Papiamento
Os guias conversam com os brasileiros em espanhol ou inglês, dependendo da preferência. Os dois idiomas fazem parte do currículo básico das escolas, mas as línguas oficiais de Curaçao são o holandês e o papiamento. Esta última, segundo o professor de papiamento Oswin La Reine, é uma mescla com 60% de influência do português, 30% do espanhol e 10% do holandês. Tudo sob a tutela de uma gramática africana. “Surgiu com a convivência dos escravos, que aprendiam os idiomas de seus patrões, especialmente portugueses e espanhóis, já que os holandeses não costumavam alfabetizar os escravos deles”, conta. O papiamento soa para os brasileiros como Tarzã falando um português bem tosco.
A mistura de raças forma o espírito curaçolenho. E na arquitetura isso fica evidente, com construções tipicamente coloniais e muito coloridas. Para aproveitar melhor tudo o que a região oferece, é indicado alugar um carro, pois muitas atrações ficam distantes. As diárias custam a partir de US$ 40. Em todo caso, o transporte público, normalmente feito por vans, funciona relativamente bem e custa entre US$ 1 e US$ 2. Também é recomendável usar cartão de crédito internacional ou trocar alguns dólares por florins, a moeda local. Apesar de aceitarem as verdinhas, os estabelecimentos dão sempre o troco no dinheiro das Antilhas, o que pode exigir muita matemática para evitar perdas na conversão entre as moedas. Cada dólar vale 1,75 florim.
Comunicação
A comunicação com o Brasil é outro ponto deficitário. São poucos telefones públicos e é muito complicado ligar para casa com cartão telefônico – a cobrar, então, ninguém sabe explicar por lá como se faz. Nos hotéis, a telefonia sai bastante caro. As soluções podem ser a compra de um aparelho celular simples ou mandar mensagens rápidas pela internet.
O jornalista viajou a convite do governo de Curaçao.