NFL, NBA, MLB, NHL. Siglas até pouco tempo restritas aos usuários de TV por assinatura são cada vez mais incorporadas ao vocabulário dos brasileiros. “Torço pelo Miami Heat” ou “sou fã do LeBron James” são expressões que não provocam mais espanto numa população quase que exclusivamente apaixonada pela boa e velha pelada de fim de semana. O motivo? A invasão tupiniquim nos Estados Unidos, que gerou uma legião de fãs de basquete, beisebol, futebol americano e hóquei no gelo.
Parte importante da cultura norte-americana, o esporte lá é tratado como espetáculo. De Seattle a Miami, Nova York a Los Angeles, de Toronto a Vancouver, nos Estados Unidos e no Canadá, metrópoles e pequenas cidades mantêm times que disputam diferentes modalidades esportivas ao longo do ano. O que garante muita diversão aos turistas, mesmo que esse não tenha sido o motivo da viagem.
Nesses países, a competição é quase um detalhe. Seja basquete, beisebol, futebol americano e hóquei no gelo, estádio ou arena, o que visitante encontra é um evento recheado de música, comida, dança e entretenimento, desde horas antes de o jogo começar. Em algumas cidades, a movimentação dos torcedores no metrô em direção ao estádio já faz parte da diversão. E tudo na maior ordem.
O sucesso no segmento de viagens esportivas é tamanho que existem empresas especializadas em levar o turista torcedor de ocasião – e mais os que já eram fãs – para experiências nos estádios. O viajante, além de conhecer as principais atrações de Nova York, Miami e Orlando, aproveita para assistir a um jogo das principais ligas esportivas na cidade.
Desde 2009, a operadora paulistana Fanato Esporte e Turismo comercializa pacotes específicos para fãs de LeBron James e companhia, do Miami Heat, time de basquete da NBA. De acordo com o diretor de marketing da empresa, Raphael Santana, à medida que os brasileiros viajaram para o exterior e conheceram os times internacionais, aumentou a procura por pacotes com foco esportivo. “Como o restante do mercado, esse segmento também cresceu no Brasil, inclusive em agências convencionais”, conta.
Entre os mais procurados está o pacote para o SuperBowl, a final da NFL (futebol americano), que bate recordes de audiência. Na decisão deste ano, disputada em fevereiro, 111,3 milhões de espectadores acompanharam o jogo pela televisão. Um recorde histórico.
No pacote para a final de 2014 da Fanato Esporte e Turismo, além dos passeios habituais por Nova York, estão incluídos o ingresso para a final do Super Bowl, no dia 2 de fevereiro; voucher para compra de presentes oficiais no dia do evento; e uma visita ao NFL Boulevard, onde o turista pode descobrir curiosidades da disputa, tirar fotos com jogadores, pedir autógrafos e praticar futebol americano. “Não vendemos uma viagem, mas uma experiência. Esporte nos Estados Unidos é entretenimento, é um show. Não é à toa que os brasileiros gostam tanto”, afirma Santana.
Turista torcedor – Os times das ligas profissionais americanas trabalham com season tickets, que é a compra de uma cadeira para toda a temporada. Por isso, apenas uma parte dos lugares estará à venda para o torcedor avulso. Para não perder a chance de ver uma partida, é preciso um pouco de planejamento.
• Previna-se – Nem sempre haverá ingressos disponíveis no dia do jogo. Muitos times são conhecidos por lotar estádios, como Dallas Cowboys e Indianapolis Colts, na NFL; San Francisco Giants e St. Louis Cardinals, na MLB; Chicago Blackhawks e Toronto Maple Leafs, na NFL; e Chicago Bulls, Dallas Mavericks e Miami Heat, na NBA. Se o time do destino visitado não for campeão de bilheteria, é preciso ficar atento ao adversário: jogos contra times populares, como o New York Yankees (beisebol), ou que tenham megaestrelas como Sidney Crosby, do Pittsburgh Penguins (hóquei), tendem a atrair mais público que a média.
• Internet – Todos os sites dos times têm o calendário completo da temporada e um link para compra de ingressos (tickets), que leva para um sistema próprio do time ou para sites como o Ticketmaster. Dá para comprar pela internet e retirar na bilheteria no dia do jogo. Ele estará disponível no balcão de will call. É preciso apresentar documento e o cartão de crédito usado na compra.
• Série B – Se a cidade não tem time nas grandes ligas, ou se os jogos do time local estão lotados, as ligas menores podem ser uma alternativa. Em Chicago, por exemplo, há dois times de hóquei no gelo: os Blackhawks, da NHL, e os Wolves, da AHL, uma espécie de “segunda divisão” do hóquei, embora não funcione com promoção ou rebaixamento.
• Economia – Não custa lembrar: a comida dentro das arenas e estádios é mais cara que do lado de fora – às vezes, muito mais cara.
• Outras ligas – Em algumas cidades, o destaque não está nas ligas profissionais, e sim nas ligas universitárias. Durham, na Carolina do Norte, não tem nenhum time profissional, mas é a sede do nacionalmente famoso time de basquete da Duke University.
US$ 26 bilhões foi o valor movimentado pelas quatro principais ligas dos Estados Unidos no ano passado. O valor é muito superior aos campeonatos de futebol da Europa. A média de público e de audiência na televisão também é três vezes maior que a dos concorrentes, uma média de 37 mil pagantes e 31 milhões de espectadores por partida.
Colaborou Marcio Antonio Campos
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