Em um tour pela Europa, eu e uma amiga saímos de Paris pela manhã, passamos o dia em Bruges (Bélgica) e chegamos no final da tarde em Amsterdã (Holanda). A cidade estava um agito só por conta de um festival de música chamado Uit Markt. O problema é que, por causa do evento, todos os hotéis estavam lotados. O que nos restou foi colocar nossas mochilas nos lockers da estação de trem e virar a noite na rua. Mal sabíamos que não se “vira a noite” em Amsterdã, pois a maioria dos bares e lan house, fecham às duas horas da manhã. Depois desse horário, os únicos lugares movimentados eram casas como o Distrito da Luz Vermelha, onde prostitutas se exibem em vitrines para atrair a clientela.
Pensamos então em cochilar um pouco na estação de trem. Parecia seguro, com guardas e boa iluminação. Porém, chegando lá vimos umas 200 pessoas dormindo em sacos de dormir ou sentadas nos bancos. A estação estava tão cheia, que os policiais expulsaram todos de lá, permitindo que só ficasse quem tivesse passagem. Claro que nós (duas brasileiríssimas) demos nosso jeitinho e falamos que iríamos no primeiro trem (tínhamos o passe de trem para 15 dias). E lá ficamos, fingindo sempre esperar o próximo trem. Enquanto uma cochilava, a outra vigiava os guardas e vice-versa. O frio apertou e sem acesso aos lockers nos restou vestir capaz de chuvas descartáveis para isolar o vento. No final da madrugada (por volta das 5h30) os guardas liberaram a entrada na estação de trem a todos que estavam nos arredores, contudo não permitiram que ninguém dormisse nos bancos ou no chão, com o risco de acordar aos gritos ou ter que pagar multas. Foi uma das noites mais trashs e inesquecíveis da minha vida.
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