Turismo

Vitrines contam história de 4 mil anos de vestuário

Anna Paula Franco
26/09/2013 03:04
É difícil ignorar a construção glamourosa na RS-235, estrada que liga Gramado a Canela, no interior do Rio Grande do Sul. As colunas gregas ostentadas pela fachada do Museu da Moda fazem o primeiro convite para uma viagem de 4 mil anos pelo vestuário feminino.
A atração foi aberta em março de 2012 e já recebeu 50 mil pessoas. Em 2.500 m2, o visitante percorre uma apurada coleção de obras de arte, reproduzidas conforme pesquisas da estilista gaúcha Milka Wolf e da curadora do museu, a historiadora Débora Elmann. São peças fielmente confeccionadas de acordo com modelagem, tecidos, tingimentos e técnicas de costura dos períodos que representam. A coleção começa na Antiguidade, tempo em que o conceito de moda ainda não existia, mas o vestuário indicava distinção social, e chega até os dias atuais.
“Nas viagens que fiz durante minha trajetória como estilista, sempre senti falta de um museu que contasse a história da moda. Então investi para criar um equipamento que tivesse esse conceito”, explica Milka, que aplicou seus conhecimentos de 50 anos na confecção de alta costura e moda prêt-à-porter no projeto. Foram dois anos para concluir a empreitada, entre a conclusão do prédio e a montagem do acervo.
Além dos modelitos reconstruídos – o vestido de Maria Antonieta demorou três meses para ficar pronto – a coleção contém acessórios e utensílios ligados à costura, garimpados em antiquários ou doados por socialites de Porto Alegre e região.
A produção cuidadosa dos cenários contribui para a viagem no tempo. Em muitos casos, os modelos expostos são réplicas dos que estão nos retratos que compõem os ambientes. A pesquisa foi tão minuciosa que exigiu manequins especialmente produzidos para determinadas épocas. “Cinturas muito marcadas e cabeças na proporção real tiveram que ser encomendadas”, explica Milka.
Na parte final da exposição, o Museu da Moda tem espaço para mostras temporárias. Depois das Divas do Cinema, o lugar vai receber a coleção de Baby Steinberg, catarinense radicada no Canadá, especializada em criar roupas a partir de materiais reciclados, como sacolas plásticas, esponjas de aço e filtros de café. A mostra de Baby fica em cartaz de 30 de setembro a 4 de outubro.
A jornalista viajou a convite da Dudi Viagens, agência online do portal ClickOn.