Comportamento

Afinal, presentes podem estragar as crianças?

Bruna Covacci
25/07/2016 16:06
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Foto: Bigstock.

A quantidade de presentes que o pequeno príncipe George recebeu pelo seu terceiro aniversário, comemorado na última sexta-feira (22), pareceu ter incomodado seus pais.  Ao ser questionado sobre o que o seu primogênito ganhou, o príncipe William se esquivou da resposta e disse que eram muitos mimos.  “Eu não vou dizer, mas ele ganhou muitas coisas. Ele está se tornando muito mimado“, disse.
De acordo com a psicóloga infantil Priscila Badotti nem sempre a quantidade de presentes pode deixar uma criança mimada. Tudo depende da forma com que é feito. “Se for algo desmedido, se os pais chegam em casa todos os dias com um presentinho – que pode ser até um chocolate, você acostuma seu filho com isso, vira uma hábito”, comenta. Este é o maior perigo, pois o presente perde o sentido e deixa de estar atrelado com uma data especial, torna-se algo corriqueiro e, caso os pais não consigam cumprir a rotina, vai parecer que eles estão devendo algo.
Outro erro é tentar compensar ausência ou falta de tempo com a criança por conta do trabalho com regalos. “Quando o adulto não puder presentear o filho a criança vai cobrar, vai fazer até chantagem”, comenta. No entanto, a especialista comenta que situações como Natal, Dia das Crianças ou aniversário não há problemas em ganhar um número grande de presentes. “Não interessa se o valor do presente é R$ 1 ou R$ 1.000 ou a quantidade, a criança só precisa saber que é uma ocasião especial”, diz.
A dica da especialista é conversar, independente da idade do seu filho. “Desde um aninho de vida as crianças já entendem algumas coisas quando você conversa”, comenta explicando que não há motivos para deixar de falar com a criança só por pensar que ela não vai compreender.
Doação
Recentemente, algumas histórias de crianças que escolhem trocar presentes por doações têm circulado pela internet. Priscila alerta para o cuidado com a prática. “Se a família já não costuma presentear a criança, querer que ela ainda doe aquilo que recebeu pode ter um resultado negativo”, fala. Além disso, tudo tem a ver com práticas comuns da família: se a criança não é acostumada a praticar doações e caridade, não tem porque fazer isso no aniversário, ela pode não compreender. “Mas quando a iniciativa parte da criança ela deve ser ouvida”, finaliza.