Comportamento

Cartões na mesa

Larissa Jedyn - larissa@gazetadopovo.com.br
21/09/2008 03:00
Para a artista plástica e pesquisadora Didonet Thomaz, este é um hábito que vem de berço. Ela herdou da avó Maria Honorata um álbum feito de papéis de presente costurados, todos cobertos pelos cartões que recebeu durante a vida: de aniversário, de Natal, de agradecimento pela visita a um recém-nascido ou velório do amigo que partia dessa pra melhor. Didonet conta que a avó alemã aprendeu a ler e a escrever em português para desfrutar desse prazer. “Eles eram a ponte dela com o mundo, o retrato de suas relações.”
Tanta memória afetiva acabou sendo modelo para as relações da artista. Ela e um grupo de amigos enveredaram pela arte postal, baseada na troca de “correspondências artísticas”, muito difundida nos anos 70 e 80, como prática de arte não-comercial, desprendida dos circuitos oficiais. “A facilidade de produção e de consumo faz com que ela esteja ao alcance de qualquer um. A idéia era que cada um respondesse ao outro com um trabalho seu, numa constante correspondência de imagens, técnicas, notícias.” Cartões antigos, cartas e rescaldos do que encontra nas casas que são demolidas na cidade fazem parte de um trabalho muito próprio da artista: o teatro monótono. Entre lembranças e pedaços de objetos, ela encontrou, por exemplo, no acervo da família Stenzel (cujo nome mais ilustre é o do escultor Erbo) uma caixa de cartões postais e de cartões que a família enviava aos seus amigos em agradecimento à visita recebida. “Revendo esse material, percebo que os cartões têm o tempo do teatro, da vida, em que se diz agora ou se cala para sempre.”
Questão de etiqueta
Você sabia que além do cartão profissional, existe uma versão pessoal, apenas com o nome? Ele serve, segundo a consultora de etiqueta e professora do Senac Tete da Silva, para você dar o seu contato a alguém que acabou de conhecer e quer aprofundar amizade. Existe uma outra modalidade, um pouco maior, que serve para acompanhar flores, para convidar alguém para ir a sua casa ou para agradecer o jantar oferecido. “Estava dando uma aula sobre isso e uma aluna disse ter recebido um cartão de agradecimento por sua presença numa festa. Ela se sentiu tão valorizada, que nem considerou o fato desta ser uma praxe, de outras pessoas terem recebido o mesmo cartão”, diz. Qual o valor disso? “É o valor do detalhe, da elegância, de mostrar ao outro que ele é importante.” (LJ)
Serviço:
Tete da Silva, consultora de etiqueta, e-mail tetedasilva@hotmail.com