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Você põe sobre a mesa, ele guarda no arquivo. Abre a janela, ele fe-cha. E olha constantemente no seu computador para fiscalizar suas ações. Está de antena ligada nos seus telefonemas e iniciativas. Nas reuniões, testa o tempo todo seus conhecimentos e tem sempre reservas em relação a iniciativas, tanto sua quanto dos seus colegas. É incapaz de reconhecer uma boa idéia e abraçá-la. Dissemina fofocas. O resultado é o ambiente pesado no escritório que atesta o diagnóstico preciso: a presença de um competitivo doentio.
“A competição existe em qualquer profissão e é positiva se gera desenvolvimento e afasta o risco de acomodação. Mas ela se torna negativa quando o seu único fim é vencer algo ou alguém e os parâmetros éticos são deixados de lado”, explica o psicólogo Tonio Dorrenbach Luna, consultor em relações humanas.
A pessoa com obsessão por concorrer é complicada e infeliz. A ênfase sempre está na briga, em tentar parecer melhor que os outros e ser reconhecido assim. Se ilude com a idéia de poder e, para isso, não poupa esforços e chega a “casar com a empresa”: não tem vida social, prejudica a família, leva trabalho para o fim de semana. E não percebe que o maior prejudicado com tudo isso é ele mesmo.
“O mercado de trabalho valoriza bastante a capacidade de relacionamento e uma pessoa assim acaba não trazendo bons resultados, não consegue interagir com os colegas nem com a própria chefia. Acaba não chegando à sua realização”, pondera a psicóloga organizacional Grazielle Maria Stacieski.
Dentre os porquês possíveis para esse comportamento, o mais comum é a baixa auto-estima. As pessoas que agem assim normalmente são inseguras e precisam de aplausos, do reconhecimento dos outros, não se bastam por elas mesmas. “Por vezes são fruto de uma educação baseada excessivamente nos resultados”, afirma Luna.
O reflexo psicológico dessa atitude é contundente. “Essas pessoas estão sempre sob estado de tensão, pois exigem de si mesmas estar atentas a tudo e a todos para dar respostas certas e prontas sempre, as quais têm de ser melhores do que as apresentadas pelos outros. Cobram imensamente de si em todos os sentidos, não falam de forma espontânea o que pensam por temer que outros se apropriem das informações passadas”, reflete a psicóloga Suzane Lohr, professora do UnicenP. “É possível perceber que este alto nível de exigência compromete a qualidade de vida destas pessoas e traz sofrimento aos que dela se acercam”, completa.
A dica para quem convive com uma pessoa assim é não entrar no jogo. “A principal orientação é ter confiança no próprio trabalho e tentar não se deixar levar pela pressão psicológica”, sugere Grazielle. “Procurar que esse clima não abaixe os resultados”, continua.
Exame de consciência
Se a boa competitividade não só deve existir como cria um clima saudável de agilidade e ânimo para alcançar metas, o limite para a obsessão é tênue e sutil. “Um sinal de alerta para perceber que se está passando dos limites é a preocupação exagerada em mostrar trabalho de forma não natural, perdendo o foco dos objetivos da empresa e o espírito de equipe”, sinaliza Grazielle.
Para acertar o passo, sempre a dica é contar com o conselho. “Muitas pessoas nem se percebem competitivas em excesso, desta maneira e, por isso, precisam ser avisadas disto e das conseqüências deste comportamento. Por vezes, é necessária a presença de um especialista fora da corporação, um consultor, para ajudar a melhorar as relações interpessoais”, avalia Tonio. “Para mudar, o primeiro passo é reconhecer que isto está acontecendo e as conseqüências emocionais e físicas que isto traz a todas as pessoas a sua volta. Caso não consiga dar conta da questão sozinho, o melhor é procurar um profissional para ajudá-lo.”
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