Ser jovem, ter preparação e conquistar um diploma universitário não são mais garantias de inserção profissional. Exigentes e descontentes com as opções que têm pela frente, muitos jovens preferem não se comprometer investindo muito em troca de pouco.
Na Espanha, eles são 45% da juventude e caracterizam um grupo, os Nini – uma supressão da expressão ni estudian y ni trabajan. No Brasil, o contexto é outro, mas isso não significa que eles não existam por aqui. “A juventude é, quase por definição, uma fase de muita ansiedade, repleta de sentimentos de insegurança, e, por vezes, desilusão”, afirma a socióloga Miriam Adelman.
“Além de o jovem que não estuda nem trabalha por ter recursos financeiros e poder fazer essa escolha, há também os que não têm opção de emprego pelas próprias condições do mercado”, esclarece a socióloga Ana Luísa Sallas, especialista na área da juventude e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Sandra*, de 22 anos, está sem ocupação formal e acredita que quem escolhe não trabalhar ou estudar é porque ainda não encontrou uma atividade que “faça a diferença”. “Um bom começo é fazer com que a sociedade pare de qualificar como desinteressados, jovens que são apenas inseguros”, defende.
Na opinião da psicóloga Vera Regina Miranda, os pais precisam ser sensibilizados para entender o cenário atual, definido por relações virtuais, efêmeras e um grau de sacrifício baixo em troca do que se almeja.
Desconectados
A psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Shirley Fesarino, explica que a geração atual é marcada pela instantaneidade das tecnologias da informação. “É uma geração delivery, que está condicionada ao clique, ao prazer imediato e a ser mais a ser servida, do que servir.”
Para Adelman, a virtualidade e o acesso facilitado às novas mídias reforçam a noção de que não se deve trabalhar com paciência e empenho para obter alguma realização. “Por outro lado, esse mesmo acesso cria jovens mais criteriosos que não aceitam trabalhos mal remunerados e chatos”, pondera.
“Percebo, entre meus colegas, uma falta de estímulo e descrença com o mercado. Em muitos casos, um trabalho regular exigirá muito, em troca de um retorno baixo”, afirma Caio*, de 22 anos, também sem ocupação formal.
No entanto, a psicóloga Shirley acredita que não é possível viver sem custos. “Chega um momento em que nos deparamos com nossas fragilidades, e devemos ter condições para assumir riscos e suportar possíveis frustações.”
*Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados.
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