Comportamento

Corrente de filho para filho

Daniela Neves - danielan@gazetadopovo.com.br - Colaborou: Adriana Czelusniak
15/11/2009 02:07
Dessa forma vieram, ou fo­­­ram, roupas, brinquedos, sapatos, esterilizador de mamadeira e ou­­­tras peças pouco utilizadas e em excelente estado. “Como te­­­­­nho gêmeos, ganhei tudo em do­­­­bro. O armário dos dois está cheio e a cada semana eles perdem mudas de roupas. O legal dessa prática é que recebo roupas boas, novas, assim como as que estou repassando”, conta Ana Elisa.
Além de as crianças crescerem mais rápido do que os pais imaginam, muitas ganham coisas que sequer são usadas. Pedro e João, por exemplo, receberam de presente tip tops de verão para três meses, idade pela qual passaram durante o inverno. Mesmo que a peça caiba, em alguns casos são usadas duas, três vezes, e já ficam apertadas.
A prática de repasse de objetos infantis usados é mais comum entre parentes, mas muitos amigos próximos têm esse hábito. Algumas pessoas, porém, não gostam da ideia de colocar nos filhos roupas já usadas por outros. Por isso cuidados básicos são importantes antes de resolver repassar. “Mesmo quando a pessoa é mais íntima, devemos dizer algo como: ‘Meus filhos têm algumas roupas que estão novas. Você gostaria que eu te repassasse?’ Bobas serão aquelas que se ofenderem com este tipo de atitude. Se a roupa estiver em ordem, é uma oportunidade de aproveitá-las”, diz Ligia Marques, consultora de etiqueta.
Para a consultora de moda carioca Cris­­­­­­­­tina Franco, o costume de re­­­­­pas­­­sar objetos dos filhos é mais comum entre mães. “É uma atitude emocional, afetiva. Nós gostamos de ver outras crianças usan­­­­do as roupinhas que nossos filhos usaram”, diz. Essa ligação afetiva inclusive faz de algumas peças relíquias, como a roupa com que o be­­­­bê saiu da maternidade, que usou no batizado, ou ainda aquele pijaminha muito usado que lembra uma fase da vida dos filhos.
As peças que não estão na lista para serem guardadas para sempre podem ser doadas, desde que estejam em bom estado, sem rasgos ou manchas, e lavadas antes de serem entregues. Brin­­­­­­quedos e livros, da mesma forma, não podem ser repassados com aparência de que foram guardados em depósitos por anos. A prática serve para ajudar outra criança, e não para se livrar de cacarecos.
Quem não tem para quem doar nem de quem receber roupas e acessórios, pode recorrer aos brechós infantis. Geralmente, essas lojas vendem produtos seminovos e compram peças em bom estado. O que for de interesse da loja pode ser vendido para os proprietários do brechó ou trocado por outras peças. O carrinho duplo de Pedro e João deve ter esse destino, assim como cadeirinhas, bebê-conforto, banheiras e cadeiras de alimentação. A vantagem para quem adquirir serão os preços, bem abaixo cobrado por produtos novos.
* * * * *
Brechozinhos
Além de venderem roupas, acessórios e móveis infantis, essas lojas compram produtos em bom estado. Para isso é feita uma avaliação e, se o cliente preferir, pode trocar o valor por outra peça
Brechó Gira Girou
Rua Fernando de Noronha, 132, Santa Cândida, fone (41) 3618-5225.
Xilika Brechó Infantil
Rua Marechal Trompoviski, 424, Bacacheri, fone (41) 3356-3605.
Treco do Bebê
Rua Dom Alberto Gonçalves, 338, Mercês, fone (41)3336-6611 e (41) 3206-7611.
Mundo da Crianças
Av. Presidente Arthur Bernardes, 1.774, Portão, fone (41) 3345-3278.