“Antes de permitir o acesso, fizemos um acordo de confiança. Ela não podia adicionar pessoas que não conhecia nem trocar de senha. Mas o combinado foi quebrado várias vezes, por isso, proibi o acesso”, conta a mãe.
O episódio mostra um problema muito comum enfrentado por pais desde que as redes sociais se popularizaram no Brasil, há quase uma década. Com o acesso cada vez mais fácil, as crianças têm criado contas em espaços virtuais que não são permitidos para a sua faixa etária.
Um levantamento da empresa Kaspersky Lab, especializada em segurança na internet, mostrou que, entre janeiro e maio deste ano, as redes sociais eram os ambientes perigosos da web mais acessados pelos pequenos. Cerca de 30% das crianças com computador em casa acessaram Facebook, Twitter ou Orkut, entre outros sites do gênero.
Cuidado
Para a pedagoga Edna Luiz Prigol, professora do Centro Universitário Uninter, nas redes sociais as crianças ficam extremamente vulneráveis. “É um ambiente em que elas se expõem demais. Muitas colocam fotos e adicionam estranhos. É preciso bastante cuidado, pois nem sempre quem está do outro lado tem boas intenções”, alerta.
Alguns sites exigem idade mínima de acesso. É o caso do Facebook, que não aceita que menores de 13 anos tenham conta. “Então, se alguém permite que o filho acesse, está deixando que ele faça algo errado”, lembra Edna.
O maior problema dessas situações é que os pequenos podem se sentir excluídos por serem os únicos sem acesso a uma rede social. O impasse pode ter duas saídas. A primeira é fazer uma vigilância rigorosa sobre o perfil da criança na web. A segunda solução é incentivar que o filho use alguma rede social voltada para a sua faixa etária (veja mais no box ao lado).
“Existem alguns sites que possuem até uma função pedagógica, pois ensinam as crianças a se relacionar ou têm jogos cognitivos, bons para o desenvolvimento. Esse tipo de rede social bloqueia palavrões e há uma fiscalização intensa sobre os conteúdos”, comenta Priscila Reis, professora de informática do Colégio Sion.
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