Comportamento

De kilt e Versace

Adriano Justino
12/08/2007 22:46
Ela é do tempo de Boy George e Cindy Lauper também. Ainda que sozinha fosse um ícone dos anos 80, a princesa Diana se deixou levar pelos anos loucos com boa dose da elegância. “Ela é a Cinderela do século 20. Apesar de ser filha da nobreza, Diana foi um símbolo de ascenção, como ocorreu com seus contemporâneos yuppies”, comenta o estilista Silmar Alves, admirador da princesa e colecionador irrepreensível: tem guardados em casa exemplares das revistas Vogue e da Harpe’s Bazaar desde 1890. Lady Di começou tímida, saída das tradições aristocráticas britânicas, com seus xadrezes e estampados, e “defendeu” alguns estilistas compatriotas. Com o tempo, explica a historiadora Daniela Nogueira, o gosto foi ficando mais apurado e o estilo da princesa foi se delineando com extremo bom gosto. “Ela conseguiu traçar uma linha do tempo durante sua trajetória, podendo ser vista com roupas diferentes. Chegou aos anos 90 na mais perfeita tradução da imagem da mulher bondosa – comprometida com seus ideais – e contemporânea. Intercambiou a moda nos continentes trazendo para o sóbrio gosto inglês o desejo de refletir elegância”, diz a professora.
“A síndrome da princesa infeliz serviu pelo menos para o despertar do seu estilo pessoal – para se vestir e para se portar diante da vida. Ela, que era inglesa demais, se abriu para a estética vibrante dos anos 80. Virou amiga dos cantores Elton John e George Michael e do estilista italiano Gianni Versace. Vestia um Versace com a mesma categoria que emplacava um Valentino. Ia do clássico à vanguarda sem se abalar”, comenta Silmar. Já que o protocolo não a permitia ostentar decotes e pernas de fora, conferia toques de modernidade no pouco que podia. “Ela tinha um senso estético enorme. Sabia que se usasse um vestido drapeado, teria que segurar a mão nos acessórios. Ela sempre foi glamurosa sem ser ‘over’, ainda mais tendo em vista a estética barroca e exagerada da realeza”, afirma. (LJ)