Comportamento

Digitalizaram o fora

Michele Bravos, especial para a Gazeta do Povo - micheleb@gazetadopovo.com.br
14/11/2010 02:04
Para escolher seu representante no cenário político, você participou de debates on-line? Bisbilhotou a vida dos candidatos nas redes sociais? Teceu seus comentários em apenas 140 caracteres? Um estudo realizado este ano pela Nokia em parceria com a TNS Research mostrou que um dos pontos fortes em comum entre os curitibanos e o meio virtual é a política. O segundo ponto – não menos importante – são os relacionamentos.
Iniciar uma paquera por bate-papo on-line ou sms já é bem corriqueiro e, quando se está conhecendo alguém, até que dá um friozinho na barriga toda vez que o celular ou o computador avisa que há mensagem esperando para ser lida. Na mesma via, tem gente por aí terminando namoro escondido atrás de alguma tela. De um grupo de 20 pessoas, três já tiveram seus relacionamentos terminados por sms ou mensagem virtual, revelou a pesquisa. Pode parecer pouco, mas e se você fosse uma delas?
O auxiliar administrativo Bruno Fagundes, 21 anos, diz que já terminou um namoro por mensagem virtual e lembra que não foi nada agradável para quem levou o fora, mas na hora o que contou foi a objetividade: “Terminar usando a tecnologia foi bem mais fácil e na época achei o ideal”.
Fagundes faz parte de uma minoria que tem smartphone e agrega ao celular mais que as funções de enviar sms ou ligar. Ele não desgruda do aparelho, cheio de aplicativos, nem por um segundo. Para o rapaz, o celular representa comodidade e admite: “Não trocaria meu celular por um comum (sem internet)”.
Mais tecnologia, mais cultura
O crescimento econômico pelo qual o país passa desperta nos brasileiros o desejo por consumir mais tecnologia. Enquanto você anda pela rua, uma situação inusitada acontece, mãos a postos e o celular começa a gravar. Mais tarde, em casa, o vídeo cai na rede. O estudo comprova que o celular está muito associado à produção de conteúdo e o computador, ao compartilhamento.
Segundo Daniela Sene, gerente de inteligência de mercado da Nokia e uma das idealizadoras da pesquisa, o país está evoluindo em termos de representatividade do celular. “O consumidor ainda não levou tudo à mobilidade por causa do preço. O não saber como usar os serviços do celular traz o medo de poder ter uma conta exorbitante, por exemplo.” Operadoras e fabricantes precisam apresentar aos clientes contas e planos ideais que se adequem ao estilo de cada um. Já com relação ao uso da internet, o Brasil garante seu lugar no topo. Daniela observa que a classe C está consumindo mais tecnologia, uma vez que a classe A já não tem mais para onde ir em termos de aquisição de bens tecnológicos.
A consequência de uma tecnologia mais presente e democrática – mesmo que ainda nos primeiros passos – é um avanço social e cultural. A maioria das pessoas entrevistadas pela pesquisa acredita que a vida está melhor em termos de entretenimento. Frases como: “No dia a dia eu posso ouvir a música que quero quando quero” ou “Eu tenho acesso rápido e fácil a todo tipo de conteúdo” são comuns. Cinco em cada dez pessoas, aproximadamente, concordam que a tecnologia ampliou seu repertório cultural.
Em São Paulo, a associação mais forte que há entre as pessoas e a internet é com relação a pesquisar baladas, combinar encontros com os amigos e “twittar”. Em menor escala, essa realidade também está próxima dos curitibanos. Fagundes afirma que as mensagens virtuais são sempre a primeira opção de comunicação para marcar de sair com os amigos. Tendo a tecnologia como sua grande companheira, ele imagina o dia em que haverá um aparelho capaz de ser mais interativo com o mundo externo.
A tendência é que os celulares sejam mais úteis ao consumidor. “O que existe vai se tornar mais familiar”, afirma Daniela Sene. No final do ano passado, a Nokia anunciou o Nokia Money, que permitirá que o celular funcione como um cartão bancário. O serviço habilita os usuários de um aparelho da marca a enviarem dinheiro a outros usuários através de mensagem de texto. Poderá ser utilizado para pagar comerciantes, contas e carregar aparelhos pré-pagos. O serviço ainda não está disponível. Até lá, vamos teclando.
Interatividade:
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