Comportamento

Do you speak english?

Denise Drechsel
09/10/2005 18:23
denised@gazetadopovo.com.br
A hegemonia norte-americana no chamado mundo globalizado impôs uma necessidade a mais no currículo de quem almeja conquistar um espaço no mercado de trabalho: o domínio da língua inglesa. Não tem jeito, sendo ou não simpático à cultura dos ianques aprender inglês é meio-caminho andado para ouvir um sim na hora da entrevista. Entretanto, a dinâmica que regula a relação entre o idioma e a ocupação de cargos não é assim tão óbvia. A experiência de algumas empresas mostra que contratar um funcionário só por causa do domínio do idioma pode trazer prejuízos. “Têm empresas nas quais falar inglês é essencial, não tem escapatória. E se alguém quer galgar postos cada vez mais altos, precisa falar a língua. Mas há corporações para as quais o idioma não é essencial e, na hora da seleção, se descuidam outros aspectos por causa da febre de falar inglês”, afirma Rafael Leal, Professor de Planejamento Estratégico da UniFAE.
Leal lembra que o idioma tem sido um calcanhar de aquiles no planejamento estratégico de algumas corporações e exemplifica: “Há aqueles que falam muito bem um idioma, mas são incapazes de fazer um projeto sair do papel. Se a empresa precisa de alguém dinâmico, ágil e que saiba contornar dificuldades com poder político, contratar alguém só porque fala inglês e não tem essas competências é um erro”, diz.
De acordo com Simone Turra, coordenadora da empresa de consultoria De Bernt Entschev, ainda é normal encontrar profissionais sem o idioma fluente entre os altos executivos. Ela alerta, no entanto, que essa realidade tende a mudar. “Quem não fala inglês sobrevive hoje, mas quanto mais quiser sair da posição operacional e passar para áreas mais estratégicas terá, sem dúvida, de dominar o inglês e até outro idioma, como o espanhol”, analisa.
Na opinião da consultora e headhunter Lais Passarelli, é muito difícil ser bem-sucedido sem falar inglês, mas os profissionais competentes podem negociar um prazo para aprender. “Vale tudo, imersão, aulas particulares, viagem para o exterior. O que importa é não ficar parado. As empresas familiares, de olho na exportação, também começam a investir nesse ponto. Até porque falar outra língua significa entender melhor a cultura dos outros países e ser mais eficaz nos negócios.”