Isabela Freitas, 24 anos, demorou a ter internet em casa: até 2010, não fazia noção do que eram redes sociais. Quem diria! Anos depois, resolveu criar um perfil no Twitter e virou um sucesso. Os seguidores pediam mais: um site. Ela jogou no Google “o que é blog e como criar”, deu certo de novo, e uma editora a convidou a escrever um livro. E Isabela escreveu. “Não se apega, não” (Intrínseca) fala de relacionamentos, ou mais precisamente da vida após o término. A mineirinha de Juiz de Fora esteve no Shopping Mueller, em Curitiba, para autografar sua obra e, na ocasião, conversou com o Viver Bem.
O que você considera essencial para conseguir praticar o desapego?
Se amar em primeiro lugar e ter a noção de que, às vezes, você merece mais do que está recebendo. É difícil saber identificar um relacionamento abusivo, saber tirar da sua vida o que te faz mal, saber até o que são essas coisinhas que te puxam pra trás e desapegar. E isso é essencial.
Por que você acredita que consegue tocar tantas pessoas contando experiências próprias?
Porque poucos são aqueles que dão a “cara à tapa”, que contam suas experiências sem medo de julgamentos, ou que falam o que pensam sem medo do que vão dizer. Eu falo mesmo… E acho que as pessoas gostam disso!
Em “Não se apega, não”, você sempre fala da importância da mulher se valorizar mais, parar de depender tanto dos homens e da sua aprovação. E os homens, passam por isso também? Os sexos são tão opostos assim como acreditamos?
Não. Tanto que em momento algum eu digo que os problemas são exclusividades das mulheres. Sempre digo que os homens, às vezes, são muito crianças e imaturos – mas as mulheres também são. Eles nos machucam e nós também os machucamos. Eu fui uma adolescente danada e quebrei muitos corações por aí. Todos têm que se valorizar, independentemente de sexo.
Você acha que uma desilusão amorosa é importante para aprender a desapegar?
Com certeza. Você precisa errar para aprender a fazer o certo. Ninguém nasce sabendo, agradeço muito aos meus erros porque foram eles que me tornaram uma pessoa que sabe identificar aquilo que me faz bem, e o que me prende.
Você acredita que a internet deu voz a pessoas comuns, que falam de vida real, assim como a Lena Dunhan, Jout Jout e você?
Com certeza. E isso é incrível! Pessoas comuns falando sobre coisas do cotidiano do seu ponto de vista – sem julgamento de se é certo ou não, sem ser uma verdade absoluta. É o que sempre digo, não sou a pessoa que sabe de todas as coisas do mundo, não sei se o que aconselho é o certo, apenas conto os meus erros e minhas lições, para que as pessoas possam aprender ou não com eles. E agradeço a internet, sempre, pois com a liberdade que ela nos proporciona, podemos cativar as pessoas que estão por ali com as mesmas dúvidas e angústias que nós.
Em sua opinião, você consegue ajudar o seu leitor na forma com que ele leva a vida?
Acho que sim. Sempre digo que devemos ter leveza, calma, não carregar sentimentos ruins e plantar o bem. Já ouvi histórias de meninas que superaram depressão, automutilação e até o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) com meus livros e vídeos. É o que me realiza, sempre fico emocionada quando escuto história dessas.
Tem diferença entre a Isabela que narra o livro e a que está respondendo essas perguntas?
Ela é um alter ego e coloco 100% da minha personalidade na personagem. Gosto de imaginar que vivi todas aquelas aventuras, sempre sonhei em ser uma personagem de um livro!