Comportamento

Minoria na minoria

Adriano Justino
26/07/2009 03:08
Enquanto a própria família recebia sem conflito o fato de que Márcio Marins era homossexual, o desenhista de 37 anos tinha amigos e conhecidos assassinados em atos de homofobia (preconceito contra homossexuais). Cansado de ter de viver com a intolerância, Marins aderiu ao movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Trans­­sexuais (LGBT) em 1990, ingressando no grupo Atobá, o segundo do país voltado aos homossexuais, depois do Grupo Gay da Bahia. Mais tarde, quando os movimentos começaram a se voltar para nichos mais específicos, ele percebeu a necessidade de criar uma ONG direcionada aos gays que, como ele, fossem afrodescendentes e adeptos de religiões de matriz africana.
Assim surgiu, em 2002, a ONG Dom da Terra, inicialmente no Rio de Janeiro, onde Marins nasceu. Quando ele se mudou para Curitiba, há quatro anos, o grupo passou a atuar também na capital paranaense. “Os afrodescendentes que são gays e adeptos do candomblé são vistos como o resto do resto da sociedade. A nossa ONG foi criada para resgatar a cidadania e a autoestima dessas pessoas”, diz. Ele avalia que já existe um bom número de pessoas engajadas em prol de mulheres, crianças e idosos em outros grupos, mas que é difícil encontrar aliados quando se trata de ajudar grupos de LGBTs. “Muitos deixam de nos ajudar porque temem ser taxados como gays”, diz. Sem medo do preconceito, Márcio toma a frente da instituição e trabalha pesado pela promoção de debates ligados à cultura e à religião afro, pela produção de um boletim de notícias e pela militância política.
Serviço:
Ong Dom da Terra
Av. Marechal Floriano, 366, sala 47.
Atendimento de segunda a sexta, das 10 às 19 horas. Fone (41) 3222-3999.