Comportamento

Mr and Mrs Right

Adriano Justino
31/10/2005 00:33
Eles negam, mas o fato é que muitos homens parecem assustados diante de mulheres poderosas, interessantes, esclarecidas e donas do próprio nariz. Tanto é que várias delas andam trilhando seus caminhos sozinhas. Um desperdício no mínimo de boa conversa e companhia agradável. Aliás é justamente a conversa o ponto-chave para um relacionamento, na opinião de Nilma de Almeida Pinto, professora universitária, 43 anos. “Eu não ligo para questões externas, pode ser fofinho e bochechudo. Eu busco, na verdade, alguém com quem eu possa conversar das 11 da noite até as 6 da manhã, que tenha o que me dizer e alguns interesses em comum com os meus.”
Para quem cuida da própria vida desde os 18 anos, é impensável deixar de lado sua profissão e as paixões pela literatura, artes em geral e viagens. “Cheguei perto do casamento uma vez, mas ele queria que eu deixasse tudo isso de lado. Ele queria que eu ficasse cuidando da casa, esperando por ele. Eu não sou assim. E ninguém muda por causa de alguém. Todo mundo é o que é. No entanto, quando as diferenças não são tão definitivas, há como ceder alguns espaços para conciliar as partes”, diz ela. Divertida, ela exemplifica: “Eu posso gostar de música clássica e ele de sertaneja. São dois opostos. Mas pelo menos é música. Nada impede, no entanto, que eu um dia vá com ele dançar ao som de Bruno e Marrone e ele me acompanhe uma vez num recital de Bach”.
Que o Mr. Right (certo, em inglês) não existe, ela mesma sabe. Mas há algumas questões preponderantes para um relacionamento de casal. Uma delas é a conversa, já que só o contato físico é frágil demais, e a outra é o comprometimento. “Ninguém aqui está falando em casamento, em morar junto, mas em se comprometer a viver com alguém, porque quer. Eu não acredito, por exemplo, que quem sai toda a noite com alguém diferente é o gostoso. É só mais um solitário.”