Comportamento

Mulheres na boleia

Jennifer Koppe - jenniferk@gazetadopovo.com.br
11/01/2009 02:04
Coragem e disposição são qualidades importantes para uma caminhoneira, mas força física não é mais prioridade para guiar essas máquinas. Embora estejam cada vez maiores, os caminhões estão muito mais fáceis de dirigir. Têm direção hidráulica, câmbio automático, freios ABS e até piloto automático.
Além disso, as mulheres são comprovadamente mais cuidadosas e responsáveis ao volante do que os homens, se envolvem em menos acidentes e, de acordo com uma pesquisa realizada pela transportadora paranaense Adorno, provocam menos gastos com a manutenção dos veículos. De acordo com o Detran/Paraná, as motoristas paranaenses são responsáveis por apenas 12, 34% dos acidentes registrados no estado.
Mas apesar do excelente desempenho, ainda existe muito preconceito e resistência. Muitas empresas se recusam a contratar mulheres para o transporte de cargas. Quando elas conseguem uma vaga, ainda precisam lidar com a reação dos colegas de trabalho – um misto de desprezo e admiração.
Para homenagear o esforço e a competência das caminhoneiras brasileiras, a empresa paranaense Tortuga – fabricante de câmaras de ar – elaborou um calendário e uma agenda com as fotos e as histórias de 12 profissionais da estrada. Selecionamos quatro para esta reportagem.
Da cegonha à mamãe
Flávia Stein, 28 anos, bem que tentou trabalhar em escritório, mas o sangue falou mais alto. Filha de caminhoneiro, conheceu o marido, também motorista, e resolveu ir para a estrada com ele. “Emprego comum não é para mim. Adoro viajar, conhecer outras cidades, pessoas novas”, explica.
Já está há oito anos na profissão. Só parou quando nasceu Yohan, hoje com 1 ano e 4 meses. “Quando o meu filho completar 2 anos, volto a trabalhar. Acho que ele vai acabar se tornando motorista de caminhão também”, diz.
Flávia conta que sofre com as péssimas condições das rodovias, com os altos preços dos pedágios, mas tira de letra o machismo e o preconceito a bordo de seu caminhão-cegonha. “A maioria dos homens não aceita mulher no volante. Uma vez, ultrapassei um outro caminhão e quando ele viu que eu era mulher, ficou bravo, reclamou. Mas eu adoro dirigir. É cansativo, mas muito gratificante, por isso nem ligo para essas coisas”, afirma.
Flávia confessa que, quando está na estrada, não tem muito tempo para cuidar do visual, mas toma alguns cuidados básicos. “Nunca esqueço do filtro solar, tanto para a pele como para os cabelos e bebo muita água. Também não dá para ficar sem hidratante para as mãos, por causa da graxa.”