Comportamento
Da fábrica para a loja. No trajeto, algo de errado aconteceu e a mercadoria não chegou ao comerciante como deveria. Para evitar desperdícios financeiros, os salvados surgiram como possibilidade entre as seguradoras. Essas lojas – ou melhor, barracões – oferecem uma infinidade de produtos (alimentos, calçados, roupas, eletrônicos, perfumes etc) a preços de 20% a 50% mais baixos que no mercado convencional, segundo Wanderley Ilivinski, proprietário da Salvacargas.
No salvados é possível encontrar: produtos de coleções passadas ou com leves defeitos que não foram aceitos por franquias; confecção estocada na fábrica de uma marca que não existe mais; carga de caminhão que sofreu algum acidente, riscando a superfície de algum dos produtos ou danificando alguma caixa; mercadoria que se salvou de um incêndio de loja e produtos apreendidos da Receita Federal.
A empresária Digecila Heimbecker, da Salvacom Outlet, explica que se um lote de geladeiras chega a uma loja e uma das caixas está rasgada, o gerente prefere não aceitar a carga, pois corre o risco de algum produto estar danificado, mesmo que as demais caixas estejam intactas. Para a loja é melhor ativar o seguro.
As seguradoras pagam às empresas o valor do prejuízo e revendem diretamente ou através de leilão para os salvados. A Receita Federal também pode trabalhar com leilão. “Os leilões ocorrem em sites bem fechados. Só quem está no ramo fica sabendo”, afirma Digecila. Esses arremates são feitos sobre toda a carga. Para Ilivinski, os leilões da Receita Federal não costumam ser vantajosos, pois é o que sobrou. “A Receita costuma fazer doações para bazares.” Ele também comenta que nem toda seguradora pode fazer esse repasse, a exemplo produtos da Nestlé e Nutrimental. “A seguradora dessas marcas não pode interferir, só quando o seguro é do atacadista.”
Boa parte do público que vai a uma loja de salvados pela primeira vez busca eletrônicos. Segundo Ilivinski, videogames são os mais pedidos. Para quem sabe o que procura, os salvados atraem comerciantes que irão revender os produtos e pessoas de classe A e B que vão em busca de qualidade e preço baixo. “O meu filho vinha aqui (Salvacom Outlet) e eu vim depois. A comida chega a ser R$ 2 mais barata que no mercado. Eu também já comprei, aqui, camisa de marca mais em conta que nos Estados Unidos”, conta a aposentada Vilma Dedo, que já espalhou para os outros familiares sobre a loja.
Digecila comenta que ganha seus clientes no boca a boca e na proximidade do atendimento. Só em dezembro, a Salvacom Outlet recebeu mais de 20 mil clientes.
Para encontrar os salvados é bom ter um mapa ou um GPS a postos. Eles ficam em ruas mais afastadas, quase escondidos. O motivo: ter uma grande área, com estacionamento, de fácil acesso para os caminhões e de preferência próximo a BR.
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