A Rua Barão do Rio Branco era “caminho da roça” e quando o casarão do século 19 instalado próximo a esquina da Avenida Sete de Setembro ganhou a placa de “aluga-se” virou instantaneamente objeto de desejo da jornalista Eleonora Gomes, 26 anos. Um ano depois, ela inaugura junto ao marido Luiz Fernando Tonidandel e outros membros da família a Casa do Barão Bistrô e Arte, um espaço multicultural. Eleonora conta que o espanto inicial com o tamanho do imóvel – são quase 600m 2 – foi dando lugar a novas idéias. “A casa foi nos dizendo as possibilidades.” A vontade de abrir um café logo se ampliou para agregar um bistrô, um empório, sala para degustação de queijos e vinhos, sala gastronômica, cybercafé, revistaria, minilivraria e sala de reuniões para pequenos grupos, além de um espaço cultural para exposições, lançamentos de livros e pocket shows. “Vamos dar ênfase a arte contemporânea e à fotografia”, conta Eleonora.
O minucioso processo de restauro foi conduzido pela arquiteta Clarisse Gomes, que distribuiu cadernos com a história da casa para os operários antes do início da retirada da primeira camada de tinta. “Não podíamos correr o risco de desrespeitar a obra. Não somos os autores da casa, apenas a restauramos”, diz Clarice. Vencidas as infiltrações e a guerra contra os cupins, o imponente pé direito de 4,40 metros ganhou móveis de época misturados a peças contemporâneas.
Entre um programa cultural e outro, é possível experimentar um prato do eclético cardápio – este aliás, apresentado em papel jornal reproduzindo a grafia da época. Elaborado pelo chef Francisco Minoli, o menu inclui sanduíches, crepes, massas, saladas, sopas, petiscos e doces, além dos cafés especiais, fornecidos pela Kassai Café. Para os apreciadores de vinhos, estão à disposição 80 rótulos de diversos países do mundo.
A Casa do Barão, cujo imóvel é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual, fica em frente a praça Eufrásio Correia, para muitos uma das mais belas da capital. Com a conservação do prédio que abriga a Câmara Municipal de Vereadores (ex-Palácio do Congresso), a esperança é que pelo menos esta parte do centro relembre seus velhos dias – a Barão do Rio Branco, antiga Rua da Liberdade, era via de escoamento da erva-mate e da madeira que chegava na antiga estação ferroviária, onde é hoje o Shopping Estação. “A rua já melhorou bastante, a segurança aumentou e há mais um prédio sendo reformado. Acho que num período de dois anos toda a quadra vai estar restaurada”, torce Eleonora. (DB)
Serviço: Restaurante Zea Maïs – Celso Freire Original, Rua Barão do Rio Branco, 354 – Centro, fone (41) 3232-3988. Funciona de terça a sábado, a partir das 20 horas. Possui serviço de valet park. Casa do Barão Bistrô e Arte, Rua Barão do Rio Branco, 763, fone (41) 3232-0203. Funciona de segunda a sábado, das 10 às 2 horas, www.acasadobarao.com.br.
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