O nome Paixão é de berço. Foi batizado Ademir Vigilato da Paixão. “Sabe ‘aquele’ óleo de amêndoas da propaganda? Foi feito em minha homenagem. Você já pensou a Maria Fernanda Cândido me passando?”, diverte-se. A idade vem com outra resposta estranha. “Sou do ano em que a Harley (Davidson) comemorou 50 anos. 1953. Quando ela fez 100, eu estava comemorando 50.” A origem? “Nasci em Jupira, no Norte Velho…” E foi lá que começou a história desse caricaturista de mão cheia e coração grande – o lado B é de um cara família, que contribui para dezenas de trabalhos sociais como voluntário, incluindo uma biblioteca apelidada “Paixão” em sua terra natal.
Criança, ele modelava os bichos do sítio em barro. “Descobri que eu era bom nisso quando os conhecidos começaram a guardar os ‘barrinhos’ que eu fazia. Em casa eu levava bronca, porque voltava sujo de terra. Aí meu pai me deu papel de embrulho para desenhar. E eu entendi que a outra opção era trabalhar na roça”, lembra.
Veio para Curitiba aos 18 anos para “comer o pão que o diabo ainda ia amassar”. Na Gazeta soma 23 anos. O trabalho na polícia, os amigos dos tempos da feirinha hippie (em que foi o primeiro a fazer caricaturas na rua), o conselho engolido a seco de ler jornais ao invés de colar nos jornalistas atrás de inspiração para seus desenhos. Tudo é narrado por Paixão com o cuidado de avisar a cada meia dúzia de palavras: “Isso você não coloca, tá?”. Por que? “Ah, o pessoal pode não gostar”.
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