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Cangurus são mamíferos que por um capricho da natureza nascem pouco desenvolvidos e, por isso, precisam permanecer em uma bolsa no abdome da mãe durante vários meses até serem capazes de sobreviver sozinhos.
Dentro do programa de humanização de partos, o Ministério da Saúde incentiva junto às maternidades brasileiras o projeto Bebê Canguru, quando recém-nascidos prematuros internados nas UTIs neonatais passam longas horas em contato direto com o corpo dos pais. “Quanto mais tempo ele ficar longe dos pais, mais tempo demora para estabelecer vínculos. O primeiro objetivo do programa é que se minimize ao máximo o distanciamento provocado por uma UTI, incentivando o contato entre os pais e o bebê”, explica o obstetra Mitsuro Miyaki, chefe da UTI Neonatal do Hospital de Clínicas do Paraná, cuja maternidade desenvolve o projeto há 4 anos.
O primeiro filho do vendedor Edson Luis Jzispiela, 25, Murilo, nasceu no HC há 3 meses com apenas 1,200 kg. “Perguntaram-me se eu queria pegá-lo e foi qualquer coisa de espetacular. Quando fica deitado no meu peito, ele respira melhor e a temperatura do meu corpo regula a dele. Não existe contato mais próximo para um pai”, conta Edson.
Segundo Mitsuro Miyaki os benefícios para os “bebês canguru” também são inúmeros. “A criança evolui melhor, tem alta mais cedo e menor índice de infecção hospitalar, já que é amamentado com o leite da mãe.”
Murilo já pesa 2,100 kg e permanecia internado até o fechamento desta edição. Mas Edson diz que passaria o dia dos pais com o filho onde ele estivesse. “Quando o bebê está na barriga da mãe a gente se sente um peixe fora d’água. Agora a emoção é outra”, diz o papai canguru.
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