Comportamento

“Recuperei a autoestima após uma doença me deixar careca aos 26 anos”

Bruna Covacci
22/06/2015 11:30
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O cabelo da empresária Angela Viganó caiu de repente. Fez todos os tratamentos possíveis, nada adiantava. Tentou usar peruca e desistiu. Decidiu assumir a falta de fios. Hoje, aos 32 anos, ela se diz mais confiante e feliz com sua imagem do que antes.
A história de Angela é cheia de emoções. Aos 18 anos, sua mãe faleceu em decorrência de um câncer. “A doença teve idas e vindas: começou com um tumor na veia aorta, que foi curado. Um ano mais tarde apareceu outro na perna, também tratado. Mas em 2000 ela foi diagnosticada com linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer nos gânglios”, explica. Depois de duas quimoterapias pesadas, a esperança estava num transplante de medula, a que ela se submeteu em março de 2001. “As novas células a deixaram fraca e abriram caminho para uma infecção grave. Depois de uma semana na UTI, minha mãe não resistiu”, conta. Sofrendo a falta da mãe, três anos depois, um novo choque: seu pai sofreu um acidente de carro que lhe tirou a vida. Seu irmão, na época com 19 anos, estava junto, mas sobreviveu. “Eu estava perdida, mudei de cidade com meu irmão mais novo e entrei para a faculdade. Não tinha superado nenhuma das mortes, mas procurava seguir adiante”, comenta.
Em 2007, deprimida, se descontrolava com facilidade. As crises nervosas eram constantes. Nesse mesmo ano, prestes a completar 25 anos, mais uma surpresa: “Descobri uma falha redondinha, de mais ou menos três dedos, no lado direito da minha cabeça, bem em cima da orelha”, comenta. Angela ficou desesperada e no mesmo dia procurou um médico. “Não é nada sério”, disse ele, e receitou para algumas vitaminas. Em pouco tempo o cabelo cresceu e cobriu a falha – mas só por um ano. “Quando ela voltou fui ao médico tranquila, sabia que a solução seriam vitaminas. Mas aí, outras foram aparecendo e não pararam”, relembra. A alopecia aerata, doença rara que acometeu a empresária, fez com que faixas, chapéus e panos se tornassem parte do seu estilo. Em menos de dois meses ela já não conseguia sair de casa sem cobrir a maior parte da cabeça.
“Eu nem descobri que ficaria careca, apenas fiquei. Foi tudo muito rápido. A pior coisa foi ter que raspar esses fios que restavam e como encarar a ’sociedade’”, conta, lembrando o dia em que chamou uma amiga próxima para cortar o seu cabelo. Logo depois, resolveu ir a uma festa com o novo visual, sem lenços ou acessórios. “Um desconhecido se aproximou perguntando se eu tinha câncer. Disse que não. Ele insistiu, disse que eu podia me abrir, pois ele era um ex-paciente de câncer. Fui embora chorando”, recorda. As abordagens continuavam. Algumas crianças gritavam: “Mãe, olha a mulher careca!”. Isso me incomodava muito.
Depois, passou a usar maquiagem e a se cuidar mais. “Vi que não precisava de cabelo para ser bonita e realmente me acho linda careca”, comenta. Ao mesmo tempo, aprendeu a respeitar a reação de crianças e senhores de idade ao se assustarem vendo uma ‘mulher careca’. “O que eu não aceito são pessoas da minha faixa etária que ainda têm preconceito de cor, raça, classe social, opção sexual ou corte de cabelo”, confessa.
Angela se posiciona contra os padrões estéticos e fica feliz ao ver uma indústria como a da moda tentar incluir a todos nas suas coleções. “Para uma mulher se amar, ela precisa ter estilo próprio. Eu não entro em modinhas, uso o que gosto e o que me faz sentir bem”, resume. Ela ainda acha que é preciso valorizar o que se tem de bom sem se importar em ser julgada ou tentar agradar os outros. “Se tem algo no seu corpo de que você não gosta, se você pode melhorar, faça por você e
não esperando se enquadrar! Esteja segura de quem você é, do que você usa e seja feliz”, ensina.
Em novembro, a empresária começou uma terapia capilar em que só come produtos orgânicos. “Meu cabelo voltou a crescer, estou muito feliz, pois pela primeira vez ele esta crescendo por completo, sem falhas! Ainda estou me acostumando com o cabelinho, estava tão acostumada à careca, que parece que perdi uma parte de mim”, conclui.