Comportamento

República de irmãos

Jennifer Koppe
13/08/2007 01:35
Boa parte da população de Curitiba é composta por jovens que saem do interior para estudar ou trabalhar por aqui. Muitos chegam cedo. Com 15 ou 16 anos deixam a família para se virarem sozinhos. Uns moram só, outros com amigos. Mas há uma parcela que acaba construindo um lar com os irmãos, como é o caso dos personagens desta reportagem.
A terapeuta familiar Carla Cramer lembra que morar com membros da família, em especial com irmãos, têm vantagens e desvantagens como qualquer outra relação. “O bom é que irmãos já têm uma história em comum e compartilham da mesma criação, dos mesmos valores e dos mesmos hábitos. Por outro lado, com nossos amigos, costumamos ser mais cuidadosos, principalmente quando nos posicionamos diante de um dilema”, explica.
Dividir o mesmo espaço e ainda assim viver em harmonia nem sempre é fácil e depende de vários fatores. “A forma com que os pais favoreciam a relação entre os irmãos quando todos moravam sob o mesmo teto é um deles. As coisas são mais fáceis se antes de saírem de casa já conseguiam resolver os próprios conflitos. Mas se os pais precisavam agir como mediadores e interferir em todas as decisões, tudo fica mais difícil.”
O papel do gênero na família também pode influenciar a boa convivência entre irmãos. Em ambientes mais tradicionais, a menina pode ser vista como a cuidadora do irmão mais novo e acaba arcando com os afazeres domésticos, por exemplo. Também existe o caso do homem assumir o papel de pai e vigiar tudo o que a irmã faz. “É uma situação que gera conflitos, pois um deles estará sempre sobrecarregado, assumindo funções que não deveriam ser suas”, argumenta.
As regras que valem para os irmãos são as que valem para relações entre amigos, colegas de trabalho e casais: é necessário respeitar o espaço do outro, saber negociar, se comunicar sem passar por cima do outro e assumir as próprias responsabilidades. “Não existe uma fórmula pronta aplicada para que tudo dê certo. Todas as relações podem ser melhoradas, inclusive as fraternais.”
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Serviço: Carla Cramer (terapeuta familiar), fone (41) 3014-4914.