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Alexandre Willerding: ascenção das cervejas especiais.
Uma garrafa pode custar módicos R$ 4,50, outra chegar a R$ 300. Não, não se trata da variação de preço que distingue os bons vinhos dos ordinários, mas sim da diferença de custo de uma e outra garrafa de cerveja. A boa e velha loura gelada, quase tão imbrincada na cultura brasileira quanto o carnaval e o futebol, virou líquido de degustação. E o negócio não é papo de boteco.
O Brasil é o quinto maior produtor de cerveja do mundo e as fábricas não páram de investir em tecnologia e novas unidades para matar a sede dos brasileiros. Paralelamente, as cervejarias tradicionais começam a ganhar espaço e aliar ao ritual da comemoração, do happy hour e do brinde em dia quente, o ato de apreciar diversos tipos, corpos e graduações alcóolicas. “As cervejas especiais ou premium não têm conservantes, nem estabilizantes”, diferencia logo de cara Alexandre Willerding, profissional do ramo e representante em Curitiba da Eisenbahn, cervejaria de Blumenau (SC) que tem quatro anos e 11 opções diferentes de cerveja no mercado.
As cervejas premium já respondem por 5,5% do volume de vendas no Brasil e por 7,6% do faturamento do mercado de cerveja. “Nos últimos anos, o mercado viu surgir um público que paga por cervejas especiais. Já há produtos nacionais de qualidade superior que podem, inclusive, ser encontrados nos supermercados”, diz Willerding. Entre as cervejarias tradicionais brasileiras, além da Eisenbahn, há a Schmitt, do Rio Grande do Sul, a paulista Baden Baden e a carioquíssima Devassa.
Do outro lado da prateleira existem os produtos das grandes indústrias, geralmente corporações multinacionais que detém diversas marcas comerciais como é o caso da Ambev e da Femsa, que fabricam Antárctica, Brahma, Skol e Kaiser.
Essas marcas, cuja garrafa no bar custa em média R$ 3, são acusadas pelos críticos de serem vendidas estupidamente geladas para camuflar o gosto ou a falta dele. Idéia que não desce redondo na garganta dos representantes dessas fábricas. “Em termos de qualidade, as cervejas brasileiras são cotadas dentro das boas do mundo. As fábricas são modernas e as matérias-primas selecionadas”, garante Edmundo Albers, gerente coorporativo de manufatura da Femsa, sigla de Fomento Econômico Mexicano S.A, que no Brasil é responsável pela fabricação da Kaiser, Bavaria, Kaiser Gold, Bavaria Premium, Kaiser Bock, Xingu, Sol, Sol Premium e Santa Cerva Bock. Segundo Albers, as cervejas com a chancela premium são bebidas de degustação que agradam aos paladares mais exigentes.
Para tirar a prova e saber se você está consumindo uma cerveja realmente de boa qualidade, Alexandre Willerding sugere olhar no rótulo e observar se a bebida segue a lei de pureza alemã. A “verdadeira” cerveja leva apenas malte, cevada, lúpulo, fermento e, é claro, água. “Não se pode usar cereais não-malteados em uma boa cerveja”, indica.
Fato é que antigamente, a mesma marca freqüentava a geladeira do empregado e do patrão. Agora, a diversificação do mercado tende a mudar o hábito de consumo e colocar em cantos opostos da mesa o bebedor e o degustador, quem pode e quem não pode pagar.