Comportamento
Dirigir pelos cruzamentos de Curitiba é coisa pouca para ela que já conduziu fuscas, jipes e até uma moto Zenith, de fabricação inglesa, por campos do Norte do Paraná e vias movimentadas de metrópoles como Nova York e Roma. A poucos dias de completar 80 anos, a professora aposentada Ruth Passagnolo de Mello não pensa duas vezes antes de confidenciar uma de suas paixões: “Desde os 13 anos, dirigir é o meu hobby.” E, segundo Ivanete Vieira Ferreira, porteira do edifício onde dona Ruth mora, a motorista conduz muito bem. “Em nove anos, nunca vi uma única multa dela”, conta.
Porém, apesar de casos exemplares como o de Ruth, há quem considere que idosos e carros são incompatíveis. Para os críticos dos condutores mais velhos, prevalece o estereótipo do motorista Mister Magoo, um personagem míope de desenho animado, que causa grandes confusões quando no controle de seu Hubley amarelo 1961.
Mas os números provam que os idosos dirigem bem. Segundo estatísticas do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR), existem 219 mil condutores com mais de 65 anos no estado e, em 2010, apenas 5% dos quase 75 mil acidentes de trânsito com vítimas no Paraná tiveram relação com motoristas mais velhos, enquanto que 37% dos acidentes foram causados por jovens de 18 a 29 anos.
Idade não é limite
Os especialistas são unânimes: não existe limite de idade para dirigir. “A idade cronológica não pode ser um padrão arbitrário. O que realmente importa é a idade biológica do motorista, que é determinada principalmente por seu estilo de vida”, ressalta o geriatra José Maria Tupiná, professor de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Ele explica que as perdas características da idade – como a diminuição das habilidades visual, auditiva, muscular e cognitiva – tornam-se mais lentas quando a pessoa pratica exercícios regulares, alimenta-se adequadamente e mantém uma vida social ativa.
O dentista Monir Tacla segue essas dicas à risca e dirige todos os dias como se não tivesse os 79 anos que carrega. “Apesar de todos os cuidados com a minha saúde, reconheço algumas limitações, que, por exemplo, me impedem de jogar aquela partidinha de futebol nos fins de semana”, brinca.
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