Comportamento

“Sou ‘perigosa’ para mim”

Adriano Justino
17/10/2005 00:32
“Sou uma sobrevivente. E estou em busca de recuperação. Eu era uma romântica e acreditava no sonho do amor. Tudo o que eu achava que era prova de amor era doença… Quando começaram os sinais de que alguma coisa não ia bem, eu não percebi, confundi com amor em excesso… Ele me deu de presente um identificador de chamadas para controlar minhas ligações, só que fazia escondido de mim. Ele controlava a quilometragem do carro e me perguntava onde tinha ido, e me seguia com outro carro para que eu não desconfiasse. E eu achava que era amor. Até que os sintomas pioraram. Uma noite fomos jantar em um restaurante tradicional. Ele começou a beber e a me provocar com palavras ásperas. Chegou um momento que eu levantei e disse que ia para casa, foi quando me agarrou pelo cabelo e me jogou no chão. Me chutou na cabeça. As pessoas quiseram me ajudar, mas não puderam pois ele colocou a mão no paletó e dizia estar armado e que me mataria ali mesmo. Me levou pelos cabelos até o carro e foi para a casa dele. Em casa, me empurrou e eu quebrei o braço. Falou para eu levantar, mas eu não consegui e ele me chutou mais. Depois ele me levantou e me levou até a cama dele e disse para eu dormir que no dia seguinte iríamos passear. Achei que ia morrer. Quando consegui me desvencilhar, fui para o hospital. Fiquei dois dias internada e quando cheguei em casa tinha um arranjo lindo de flores me esperando, com um cartão dizendo que seríamos felizes de novo. Cheguei a dar queixa na delegacia da mulher e fiz exame no IML. Passaram três meses e ele começou a me assediar de novo. Chorou, ficou de joelhos, disse que nunca mais ia acontecer de novo, que estava fazendo terapia e eu como uma boa menina acreditei de novo e voltamos. Mas foi por pouco tempo, até ele aprontar de novo. Acreditem: homem violento e ciumento não tem cura. Acho que está nos genes. Eu sou ‘perigosa’ para mim, tenho que andar com o alerta ligado sempre.”
* Aline.
* Todos os nomes de depoentes da reportagem são fictícios.