Comportamento

Tempo de aprender

Annalice Del Vecchio, especial para a Gazeta do Povo
26/01/2014 02:04
Buscar referências é uma das formas encontradas por muitas famílias para atravessar com tranquilidade essa fase. “É preciso visitar escolas, ouvir amigos, consultar outros pais”, orienta Joana Romanowski, professora de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
O casal Daniella Tolari, nutricionista, e Diego Rech Klimczak, gerente de projetos, começaram suas buscas quando o filho Douglas, de um ano e meio, tinha apenas quatro meses. “Queríamos colocá-lo na escolinha assim que eu retornasse ao trabalho, mas depois de nos decepcionarmos com dez escolas visitadas, decidimos deixá-lo aos cuidados da minha mãe por algum tempo”, conta Daniella, que esperava encontrar uma escola exclusivamente de educação infantil, com poucos alunos, formada por bons profissionais e com instalações adequadas. “Mas a maioria não tinha nem proposta pedagógica”, lembra.
Quando o menino completou um ano, o casal visitou mais algumas escolas e, finalmente, em junho de 2013, matricularam-no na escola Ciranda do Tempo. Agora ela prepara o filho para o início do ano letivo, em fevereiro. Além da conversa, levou-o para comprar o uniforme e o material escolar. “É possível estimular a criança dizendo que na escola vai haver brincadeiras, amiguinhos, sem fazer com que a criança ache que vai encontrar um mundo encantado, da Disney”, orienta Camila Dalla Pria.
Seis meses após o nascimento de Lais, hoje com 3 anos, a representante de vendas Marcela Pellanda e o engenheiro Vinicius Bollauf procuraram uma escolinha para matriculá-la, sem imaginar que a menina choraria pelos próximos meses, trocando o dia pela noite como forma de suprir a falta da mãe. “Eu ficava tentando encontrar desculpas para o choro da Lais, achava que era apenas um processo de adaptação difícil por ela ser muito agarrada a mim”, lembra a mãe. Até que Marcela resolveu seguir o conselho da irmã e levá-la, com um ano, para conhecer outra escola. “Imediatamente, Lais começou a brincar com outras crianças e quando vi estava me dando tchau”, conta. Ela se arrepende de não ter prestado atenção aos sinais da filha. “Muito choro não é normal, a criança precisa estar feliz no ambiente da escola, se sentir bem”, aconselha.
Marcela conta que na segunda escola, Sol dos Pequeninos, ao contrário da anterior, ela pôde entrar na sala com a filha – e isso a fez se sentir mais confiante. “A maioria das escolas tem uma programação de adaptação de permanência da criança”, explica a professora Joana. Na escola coordenada por Camilla Dalla Pria, por exemplo, nos três primeiros dias de aula, os pais permanecem junto com os filhos por períodos que vão se reduzindo gradativamente. “Em geral, a criança se adapta em duas semanas”, explica Camila.
Estabelecimentos que permitem a entrada dos pais oferecem o alento e a confiança necessários para que a família viva com mais tranquilidade essa fase de transição. Foi com o coração partido que a secretária executiva Tatiane Haugg Furtoso Imhoff e o marido, o advogado Paulo Imhoff, colocaram o filho João Paulo, de três anos, em uma escolinha – com apenas 4 meses de vida. Mas, decepcionados com a rigidez dos horários, transferiram o menino para a Pré-Escola Criança e Cia. “Ali me sinto à vontade para acompanhá-lo, e as professoras tratam meu filho como se fossem irmãs ou tias”, conta.
Tatiane, que chegou a pensar em parar de trabalhar para se dedicar ao filho, não se martiriza mais e vê inúmeras vantagens em tê-lo colocado cedo na escolinha. “Ele sabe compartilhar, é um menino sociável, que conversa com facilidade, gosta de livros, reconhece letras e números, sabe contar até dez – inclusive em inglês” enumera.
“Hoje em dia mãe e pai trabalham, o que gera a necessidade do atendimento à criança. Nesse sentido, a escola com profissionais preparados, um projeto específico para o desenvolvimento da criança e a infraestrutura necessária, é o espaço mais adequado”, considera Joana Romanowski.
Mas, se a escola é um espaço de socialização, a convivência familiar é fundamental para uma vida saudável, completa a pedagoga. Sabendo disso, Daniella e Diego aprovaram a decisão da escola onde seu filho irá estudar – de não oferecer jantar aos alunos matriculados em período integral. “A maioria das escolas oferece a última refeição, e isso acaba fazendo com que a criança não vivencie nenhum momento em família”, diz a nutricionista, que terá sempre três pratos à mesa na hora do jantar.
Marcela preferiu mudar um pouco sua rotina e passar ao menos um ano sem trabalhar para se dedicar a Lais e à filha mais nova, Ana Luiza, de 6 meses. “Agora nas férias, sinto que a Lais está mais relaxada, menos manhosa, porque passo mais tempo com ela”, salienta. No mês que vem, a menina passa a estudar meio período, em uma nova escola, o Colégio Marista Paranaense, que atende alunos até o ensino médio. “Acho que assim ela não vai sentir tanto a transição do ensino infantil para o fundamental”, pondera.