Moda e beleza

À moda dos balangandãs

Adriano Justino
09/10/2005 17:22
Mas afinal, de onde é que veio essa baiana? Carmen aprendeu a costurar muito cedo com a irmã mais velha Olinda. Fazia chapéus, experimentava a todos, encenava poses para fotos sempre ao som de muita cantoria, quando ainda imitava as rainhas do rádio da época. Daí, o treino para as caras e bocas que ficaram célebres mais tarde, o gingado presente até nos olhos emoldurados pelas sobrancelhas desenhadas e o sorriso farto dos lábios cheios de batom. E o exercício de criação. Segundo o pesquisador musical Marcelo Bonavides, relatos do irmão caçula Oscar mostram que ela podia fazer qualquer coisa à maquina de costura: chapéus, vestidos e até sapatos. Foi ela mesma quem teve a idéia de fazer as plataformas enormes para compensar a pouca altura (tinha 1,53 m) e a usar a roupa de baiana nos seus shows.
O seu jeito de fazer moda era intuitivo. Customizava as roupas antes mesmo desse termo ser criado. Fazia das vestimentas o continuar dos seus requebrados. E isso encantava brasileiros e americanos. “Conta-se que certa vez, ela estava andando pela 5.ª Avenida em Nova Iorque e viu as baianas nas vitrines, com seus turbantes e plataformas e disse: ‘Parece que essas roupas estão na moda…’ A verdade era que ela estava na moda.”