Moda e beleza

A volta de Walter Rodrigues

BRUNA COVACCI, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO
07/11/2013 02:22
Conhecido pelo seu fascínio pela cultura oriental, pela inspiração na silhueta dos anos 1930 e pelos vestidos vaporosos, por muito tempo as coleções do estilista Walter Rodrigues foram comercializadas em diversas multimarcas do país, dividindo espaço com outros grandes nomes nacionais e até internacionais. Depois de dedicar os últimos tempos apenas para projetos especiais e pesquisas, o estilista voltou a criar, desta vez, com exclusividade para a grife Alcaçuz, e conversou com a Viver Bem Moda & Beleza durante a apresentação de seus looks na loja do Pátio Batel.
Quando começou o seu interesse por moda?
Faz muitos anos! Quando comecei, no final dos anos 1970, a moda tinha muita coisa para ser descoberta. Eu morava no interior de São Paulo e fui trabalhar numa loja, era uma correlação muito interessante de gostar de estética e prestar atenção na beleza e na elegância. Mas nunca pude imaginar que eu me tornaria um estilista, eu nem sabia o que era isso.
O que te levou a dizer sim para a Alcaçuz?
Cansei de todos os processos de fabricação de roupa e fui me esconder na pesquisa. Aí eu deixei de fazer roupas e desfiles. Mas isso faz parte da minha vida, é impossível ficar tanto tempo longe.
Como foi o processo de criação para os dez modelos da Alcaçuz?
O que eu tentei deixar marcado foi o meu traço, que é bem visível nas peças. Trabalhei o contraditório, muitos vestidos são cheios de detalhes e outros completamente simples. É a brincadeira que chamo de yin-yang, o equilíbrio. É isso que conduz minha vida. Na coleção, há vestidos curtos e longos, cheios de detalhes, cobertos de cristais, flores e alguns que não tem detalhe algum. As roupas são fluídas e longilíneas, exatamente como eu sempre gostei.
Como surgiu a parceria?
Tudo começou em março por meio de uma amiga em comum, a Celina Kochen. Ela me disse que seria bacana eu falar com o pessoal da Alcaçuz, pois eles queriam me fazer um convite. Lembro que eu fiquei olhando para ela e pensan­do ‘você ficou louca?’. Então fui conversar com a Xenia Mozzaquatro, empresária da marca. Ela me propôs criar dez modelos. Achei que valeria muito a pena fazer isso. Primeiro porque eu não teria que cuidar de nenhum problema do desen­volvimento. Eu seria respon­sável por desenhar, fazer provas, escolher os tecidos e detalhes das roupas – o que chamo do coração das peças.
Ela deve continuar?
Não sei, mas estou aberto e acho que a marca também. Estamos sentindo a repercussão da coleção e tem sido muito bacana. Foi bom perce­ber a forma com que os consumidores reagiram comigo ao lançar uma coleção tão específica. Consegui perceber o quanto sou respeitado e isso foi ótimo para a minha auto-estima. Estou bem tranquilo e adorei criar para a marca.
E projetos com outras marcas?