Cabeleireira dá dicas de como se livrar do alisamento definitivo
Luisa Nucada
05/08/2015 17:23
Josi Helena, do blog Negra Vaidosa, já passou pela transição capilar e fez o Big Chop três vezes. (Foto: divulgação/Pati Martinho.)
Seu cabelo é crespo ou cacheado, e você o alisa desde que se entende por gente. A química nos fios é feita há tanto tempo que é difícil lembrar sua real textura. E então você decide retornar ao natural. Assim começa a transição capilar.
O processo costuma ser difícil e afetar a autoestima, conta a cabeleireira, maquiadora e blogueira Josi Helena, do blog Negra Vaidosa: “Você fica com duas texturas na cabeça, a raiz com volume, enrolada, e o comprimento liso, com química. Geralmente a menina não se sente bem, não consegue arrumar o cabelo de um jeito que considere bonito”.
Dificuldades
O crescimento do cabelo crespo ou cacheado demora mais para “aparecer”. Além da ansiedade para que os frios cresçam logo, mulheres em transição capilar ainda têm de lidar com a pressão de pessoas próximas.
“A menina que alisa o cabelo o faz para se encaixar no padrão social. Ela decide deixar de alisar e tem muita pressão, principalmente de familiares, que dizem que é mais bonito alisado. É um período estressante, tem meninas que desistem depois de dois meses e alisam de novo”, conta Josi.
O preconceito contra o cabelo natural se manifesta também em outros meios, como a escola e o mercado de trabalho, relata a cabeleireira. “A gente vive vendo casos de meninas que vão fazer entrevistas de emprego e ouvem ‘não dá pra prender esse cabelo ou fazer uma escova?. Na escola, a criança crespa ouve da professora que tem de prender o cabelo… É muito sutil, mas existe sim uma resistência com o cabelo crespo.”
Soluções
Para igualar as duas texturas do cabelo, algumas optam por fazer escova (não a definitiva) na raiz. Não é a solução mais recomendada, pois o calor do secador agride o cabelo, alerta Josi.
As técnicas de texturização são medidas mais saudáveis para passar pelo processo de transição capilar. Elas fazem com que a parte alisada fique mais parecida com a parte natural. O rolinho e o twist são dois exemplos de técnicas, cita Josi.
“Para fazer o rolinho, você divide o cabelo em mechas finas, passa um creme de pentear para cabelo crespo, torce a mecha e enrola, prendendo os rolinhos. Vai ficar como o penteado que a atriz Quitéria Chagas usava no início da carreira. A maioria das mulheres dorme com o cabelo assim. Depois de soltar, ele fica com uma textura bem bonita”, descreve a cabeleireira.
“Já no twist, você divide a mecha ao meio e torce as duas partes, cruzando-as”, explica ela. A blogueira Maraisa Fidelis, do Beleza Interior, explica como fazer os twists neste tutorial:
Outra solução são as tranças sintéticas, conhecidas como kanekalon. Josi já passou por um processo de transição capilar há 14 anos. Na época, usou essas tranças para proteger suas raízes naturais, que estavam crescendo. “Fiquei com elas por quase um ano, fazendo manutenção a cada três meses, e meu cabelo foi crescendo. Elas preservaram os fios, que ficaram ali guardadinhos.”
O temido Big Chop
Agora, se não há paciência para lidar com as duas texturas diferentes na cabeça, a opção mais “radical” é cortar tudo. Chamado de Big Chop, ou BC, o corte rente é uma maneira de recomeçar do zero, à qual Josi aderiu três vezes.
“A última vez foi há três anos, pedi para meu marido passar a máquina um. Para mim foi libertador. Retirar todo o cabelo com química é um ato de autoafirmação, é só cabelo, vai crescer de novo. É muito prático, muito tranquilo de arrumar, acho muito estiloso, tem menina que raspa e nunca mais deixa crescer. Mas para a maioria não é fácil, recebo muitos pedidos de incentivo de meninas que ainda não têm coragem de fazer o BC”, conta.
Caso a mulher se sinta menos feminina com a cabeça raspada, Josi recomenda abusar de maxi-brincos, lenços, turbantes e maquiagem. “Mas a feminilidade está mais na atitude mesmo, se ela se sente segura, não precisa fazer uso desses artifícios.” Neste post de seu blog, a cabeleireira conta como foram seus três Big Chops.
Inspirações
Outro recurso que ajuda bastante, tanto no processo de transição quanto após o BC, é a busca de informações e referências na internet. “Na tevê, nas revistas, em lugar nenhum que dita a moda temos referências crespas. Para a mulher de cabelo crespo se sentir melhor e ver o quanto ela é bonita, sugiro que procure na internet por it girls negras, blogs nacionais e estrangeiros. Essa busca por representatividade funcionou muito para mim”, diz Josi.
Confira abaixo uma seleção de blogueiras e youtubers que dão informações sobre cabelos crespos e cacheados:
Coisas de Preta
A cabeleireira Regianne Rosa usa tranças no cabelo e dá dicas de como cuidar delas.
Meu Diário Crespo
Nest post de seu blog, Joyce Carter contou a história de suas madeixas, que passaram por várias transições capilares. E também tem vídeo, veja abaixo: