O primeiro contato entre elas e nós foi por meio de suas frases. Algumas contaram um pedacinho da vida, um drama ou, simplesmente, dominavam as palavras de um jeito a transformarem em poesia a inabilidade com o guarda-roupa. Tudo para conseguir uma vaga no concurso Estilo Próprio, promovido em parceria entre o Viver Bem e a consultoria Um Quê de Estilo. De 300 candidatas, saíram 15 mulheres, de profissões, idades e desejos diferentes – além, é claro, do sonho de dar uma repaginada no visual.
Quatro delas – Vera, Ísis, Lucimara e Mafalda – toparam falar com o Viver Bem sobre o processo todo e posar para um editorial que você vê a seguir, durante a entrega às participantes de um presente da marca de acessórios Maria Dolores. Já no começo do papo, elas deram a entender que a transformação tinha mais componentes internos que externos e os pedidos de socorro, contidos nas frases enviadas no começo do concurso, deram lugar a demonstrações de amor-próprio.
“Quando eu escrevi, não havia tempo para mim. Vestia o que achava pela frente, passava um pente no cabelo e encarava o dia. Era alegre, mas menos colorido. Hoje fiquei mais exigente. Quero o mesmo conforto de antes com mais beleza, mais cor e um pouquinho de maquiagem”, brinca a artesã Vera Helena Prosillo Coco, 60 anos.
Foram dois meses entre o envio das frases, a escolha das mais criativas e com as razões mais desafiadoras, o processo todo de consultoria e a sessão de fotos. O intensivo de estilo contou com entrevistas, análise de corpo, de gosto e de necessidades, limpa de guarda-roupa, aulas em lojas, transformação no salão e composição de looks. Mas as sete consultoras que participaram do processo concordam quando falam que as mulheres que conheceram no primeiro dia não são mais as mesmas de hoje. “Todas elas passaram de um jeito ou de outro por uma transformação. Com algumas tudo foi muito fácil, pois elas se conheciam muito bem e só precisavam de alguns ajustes. Outras tiveram de ter a vaidade resgatada do fundo do peito. Muitas delas renegavam a própria beleza, o ato de se arrumar e de se amar, por causa das dificuldades da vida. O mais bacana é ver que todas elas – em graus distintos – conseguiram perceber que a vida é muito melhor quando a gente está de bem com a gente mesmo”, comenta a consultora Andressa Trauczynski.
Além de Andressa, participaram da experiência as consultoras Carolina Tonsig, Cristina Bemvenutti, Heloísa Boutin, Laura Leão, Marilú Schnaider, Patrícia Nerbass e Vanja Baldo.
Quando começou a trabalhar com consultoria de imagem, Sylvia Cesário Pereira – que coordenou a ação das sete consultoras neste projeto –, achou que seus conselhos se restringiriam ao estilo. “Mas eu percebi muito cedo que a adequação do visual está intimamente ligada à individualidade. Cada um mostra o que quer, o que sabe, o que precisa. E isso precisa ser respeitado. Só que muitas vezes a rotina engole não só o estilo, como o amor-próprio, a autoestima. E a vaidade vai embora com a falta de tempo, a culpa. Quando você dá de novo para alguém o direito de se gostar, é como se você estivesse dando a ela segurança”, diz ela.
Na hora do sim
“Nem consigo imaginar o que seria da minha mala de lua-de-mel sem essa consultoria”, brinca a servidora pública recém-casada Ísis Bertalha Yaegashi (foto 1), 28 anos. Ela, que casou em pleno processo de revisão de estilo, conta que até a subida ao altar ganhou mais atitude. “É impressionante como a insegurança dá lugar à tranquilidade. É como se você ficasse de bem com você mesma.”
Pelo que ela conta, o maridão gostou da mudança e as fotos da lua-de-mel comprovam a transformação. O cabelão, cultivado por anos, foi repicado, ganhou movimento e aliviou o rosto redondo. Os olhos passaram a ter a companhia – só nas ocasiões especiais – de tufinhos de cílios postiços. Truque que a moça aprendeu a fazer sozinha em casa e recomenda a quem mais quiser dar aquela realçada no olhar.
Fora isso, Ísis diz ter tido a sua vaidade conduzida por caminhos mais seguros. “Eu era meio preguiçosa, sabe? Eu sabia reconhecer o estilo dos outros, mas não aplicava os mesmos conceitos em mim. O que a Patrícia (Nerbass), minha consultora, me ensinou é planejar o meu visual, entender o que não fica bem em mim e experimentar mais coisas. Posso dizer que a minha vida ficou mais rica.”
Vida louca
Quando a vida “engoliu” a artesã Vera Helena Prosillo Coco (foto 2), 60 anos, não houve tempo para reclamações ou para descer do bonde. Era preciso viver sem olhar para trás ou para o espelho. Casada, mãe de cinco filhos, dois deles com necessidades especiais, Vera se desfez de tudo que lhe tomasse tempo: conversas desnecessárias, maquiagem, calças com botões. “Parece brincadeira né? Mas quando você está com pressa, um botão pode acabar com você. Por isso mesmo é que eu elegi as camisetas, os moletons, as rasteiras e os tênis como companhia. O restante ficava lá, no armário”, comenta.
Quando se inscreveu no concurso Estilo Próprio, foi por pura brincadeira. Nunca ganhou nada, nem em bingo de igreja. E o que faria com uma consultoria dessas? Não havia tempo para esse tipo de coisa. Pois não só ganhou, como teve como primeira lição achar algum intervalo para si mesma. “Ela precisa arranjar 20 minutos por dia para ela. Esse foi o nosso trato”, diz a consultora Laura Leão. “A partir daí, fomos incorporando algumas peças ao armário, como vestidos e leggings no lugar das calças e camisetas. Ela, que é tão alegre, bonita e cuida tão bem de todo mundo, agora vai poder cuidar dela mesma. Nem que seja um pouquinho”, comenta.
Vera não só gostou da mudança, como anda aproveitando os conselhos da nova amiga para dar um jeito no visual até da filha. “A minha vida não é mais triste que a de ninguém. Eu sou feliz com a minha família, com o meu artesanato, com o que sou. Agora, se posso ser assim e ficar mais bonita, tudo só tende a ser melhor”, diz ela, que adorou os vestidinhos, as sobreposições e os jogos de transparências que aprendeu a fazer.
Travessuras, gostosuras e muito estilo
Em muito pouco tempo, Mafalda Aparecida Ribeiro Kiss (foto 3), 53 anos, estava reduzida à metade. Mandou embora 30 quilos depois de uma cirurgia bariátrica decidida às pressas, ficou se sentindo muito mais bonita e passou a ser a dona de um guarda-roupa esquizofrênico. “Lá dentro havia coisas do tempo dos 30 quilos a mais, roupas para uma senhora de 50 e outras para o corpinho de mocinha”, comenta a decoradora, que revela ter tido pesadelos antes de encontrar a consultora que trabalharia o seu estilo: “Achava que viria uma perua, cheia de frescuras. Aí me deparo com esse amor que é a Andressa (Trauczynski), linda, e, para melhorar, o marido dela toca no bar do meu. Podia ser melhor?”
Na prática, a transformação começou pela percepção do corpo em forma de triângulo invertido e pela adoção de peças que alongassem ainda mais as pernas, dessem mais volume aos quadris, disfarçassem os ombros largos e a cintura. “Adorei essa história de mostrar as pernas, valorizar o colo, descombinar sapatos e bolsas e prestar mais atenção nos detalhes”, conta, saltitante, enquanto discorre minuciosamente sobre os conceitos aprendidos e cuidadosamente aplicados. “Diga se eu não estou uma gostosura?”, provoca.
Os cabelos renderam outro capítulo de conversa: “Eu tinha um chanelzinho comportado. A gente ia bater a nuca só para atualizar. Foi quando eu vi a Ana Paulo Arósio numa revista com os cabelos curtos e sugeri o corte. Todo mundo se animou com a minha coragem e mandou ver na tesoura. Ficou legal, né? Minha filha disse que eu pareço uma francesinha”, diverte-se a “tímida” leonina.
A vida começa quando você quiser
Não houve tempo para crise. A virada dos 40 para os 50 fez Lucimara Maciel Coimbra Zanatta (foto 4), 51 anos, entrar para a faculdade e arranjar o primeiro emprego ao mesmo tempo em que via os filhos criando asas e saindo de casa. “Era tanta mudança acontecendo na minha vida, que meu visual não conseguiu acompanhar. Estavam lá as calças jeans, as camisetas e os tênis de sempre, o corpo sem o mesmo viço de antes, a pouca intimidade com o espelho e a vaidade discreta”, comenta a loira de belos olhos verdes.
A Lucimara de antes da mudança estava acostumada ao papel de esposa e mãe. Foi criada para casar, ter filhos e não chamar a atenção para si mesma. Ela não lembra, por exemplo, de algum dia alguém tê-la destacado por sua beleza. Injustiça desfeita pela consultora Vanja Baldo. A rotina, que tinha engolido a vaidade, ganhou agora – conforme as instruções prescritas pela consultora – uma parada obrigatória em frente ao espelho, tempo para planejar as roupas e os acessórios e mais tempo ainda para sair com as amigas. “A Vanja me mostrou o quanto eu estive escondida esse tempo todo. Mesmo quando resolvi mudar, estudar e trabalhar como naturoterapeuta, substituí a rotina de antes pela do trabalho. Precisou vir a Vanja pra me ensinar que existe muita vida lá fora”, comenta. Entre as lições de estilo, Lucimara aprendeu a brincar com as cores, valorizar seus pontos fortes e investir em peças boas que durem bastante tempo. “Já comprei uma calça tipo saruel estampada, uma blusa mais decotadinha, uma calça capri e algumas maquiagens”, diz ela.
Serviço
Fotos: Larissa Tanaka e Giuliana Nunez/Pix Photo, site www.pixphoto.com.br
Cabelos e maquiagem: Glam Cabelo e Beleza, Rua Dr. Carlos de Carvalho, 2.191, fone (41) 3022-7295
Agradecimentos: Shopping Crystal Plaza e lojas Maria Dolores e Saad.
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