O povo de lá fala que a moda nasce e evolui todo dia em Cianorte. Pudera, são 450 indústrias, algumas do porte de uma Morena Rosa – que figura entre as 150 melhores empresas do país para se trabalhar – outras pequenas, mas empenhadas em fazer o negócio da moda dar certo na região. O que impressiona é o giro das mercadorias nas prateleiras: o vestido da personagem principal da novela das oito não demora nem dois dias para estar à venda nas lojas. “E a gente vem para cá para ver as novidades. O chamariz é a qualidade e o giro de mercadoria. Venho para cá de 15 em 15 dias e sempre tem roupa nova”, comenta a agente de moda Maria Ferreira, de Patos de Minas (MG).
Os agentes revelam que os focos das compras na região são o jeans, a modinha – um estilo comercial que agrada ao grande público –, roupas de tamanhos especiais e moda evangélica (com estilo vintage e bem comportado). “O produto daqui é normalmente mais caro que o de São Paulo, mas não dá para comparar a qualidade da matéria-prima e do acabamento. A roupa não pára na prateleira”, diz Eliana Comin Pizzolo, agente de Criciúma, que trabalha há 12 anos neste mercado.
E o perfil dos compradores não escapa à quase que unanimidade feminina – que chega a mais de 90% dos lojistas que percorrem as ruas de Cianorte. “Eu venho de Rondônia, fico mais de 48 horas na estrada na companhia de cerca de 25 mulheres. Imagina só? São elas quem têm olho para comprar”, diz o agente José da Silveira Rodrigues, que aprendeu numa dessas andanças o que eram petit-poás… “Pedi o tal petitpoás na loja e a moça me veio com uma pilha de roupas de bolinhas”,
brinca. (LJ)