Moda e beleza

Meu bem, meu mal

Adriano Justino
12/08/2007 22:36
Sempre que valores éticos e morais demonstram fragilidade, o ser humano trata de resgatá-los através de ícones criados pela própria sociedade. Como se eles – os mitos – pudessem encontrar valores perdidos. “O pensamento contemporâneo acaba refletindo este reencontro, buscando materializar não somente o ícone, mas também o que fazia parte do seu contexto, no auge de sua fama. O indivíduo tende a se mostrar cada vez mais auto-suficiente, mas seu medo de andar sozinho fica evidente, quando a moda, por exemplo, reedita alguns clássicos. Se não isso, o que seria o revival 80?”, questiona Daniela Nogueira, historiadora da moda e professora do curso de Moda do Senai.
Quando há busca por serenidade, justiça e defesa dos ideais, as pessoas, segundo Daniela, vão atrás dos mártires. E Lady Di foi um deles, por sua conduta tanto na vida pessoal, social, quanto na forma de se vestir. Ai de quem for contra. A luta do bem contra o mal, neste caso, foi definida, e o papel da princesa não é o de vilã. “Ela não é a inocente da história, mas houve a redenção pelo sofrimento”, comenta o professor Nilson Lage.
O encantamento com o início da história fez nascer, depois do casamento do príncipe e da princesa de Gales em 81, Dianas por todos os cantos. A esteticista Alzira Sandri Dallabrida, 51 anos, sonhou desde então com uma menina para poder dar o nome da princesa. “Eu era fã dela e ainda sou. Assistia a tudo aquilo e sonhava esse conto de fadas para a minha filha”, diz ela, que acredita que o batismo deu sorte à menina. “Sempre admirei a princesa pela força, pela personalidade, pela capacidade de olhar para o outro”, comenta. A filha Dayana, hoje com 24 anos, diz que sempre soube da homenagem, mas suas lembranças mais fortes da princesa são as do fim trágico. “Não sei das implicações hierárquicas e de suas funções no reinado, mas sempre achei a princesa pessoalmente interessante”, diz. (LJ)