Acidente com patinete elétrico pode causar coágulos, traumas e fraturas
Anna Sens, especial para a Gazeta do Povo
27/05/2019 17:00
Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo | Hedeson Alves/Gazeta do Povo
Transporte alternativo que virou febre nas capitais, os patinetes elétricos parecem simples de ser manipulados, mas, na verdade, exigem um olhar diferente em relação à segurança. A velocidade do equipamento varia entre 6 e 20 km/h, sendo a mais baixa recomendada para as calçadas, e a mais alta, para ruas e ciclovias.
Um estudo publicado pela prefeitura de Austin, no Texas, em parceria com o Centro de Controle e Prevenção dos Estados Unidos, analisou o uso de patinetes durante três meses no país e constatou o número de 20 acidentes ocorridos a cada 100 mil corridas. Apesar de parecer um número pequeno, mais da metade deles teve consequências graves.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Luís de Alencar Borba, o uso desregrado dos patinetes é perigoso tanto para quem dirige quanto para o pedestre.
“É mais comum o caso de fratura leve, mas há a possibilidade de o usuário cair e bater a cabeça, por exemplo, e ter um hematoma intracraniano”, diz. Ele explica que esse tipo de hematoma é traiçoeiro, pois é um coágulo que se forma lentamente, sem que a pessoa perceba. Após um “intervalo lúcido”, ela entra em coma e morre.
Outra preocupação do neurocirurgião é com relação aos acidentes que atingem terceiros, em especial pessoas idosas. “Atropelar alguém idoso na calçada pode causar uma fratura de colo de fêmur ou um traumatismo craniano, que leva a consequências crônicas”, afirma. Pessoas da terceira idade podem ter problema nas articulações e de coagulação, o que dificulta o tratamento.
No Brasil, ainda é incerta a quantidade de acidentes por corrida, mas no Rio de Janeiro, por exemplo, após mais de cem notificações de lesões devido aos patinetes em hospitais da Zona Sul, em quatro meses, a empresa TemBici suspendeu o aluguel dos equipamentos na cidade na segunda-feira passada (20). A justificativa foi priorizar a segurança dos usuários.
Os patinetes elétricos não têm uma legislação própria regida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e, por isso, seguem regras já existentes. A cidade de São Paulo aprovou na última semana uma lei municipal que multa motoristas de patinete que estiverem dirigindo em vias cuja velocidade permitida é maior que 40 km/h; sem capacete; ou utilizando a calçada.
“Hoje não há calçadas e vias adequadas para que se use patinete na calçada de pedestre, e eles são rápidos, como se fosse uma moto na calçada”, diz Luís Borba, ressaltando o problema de usar o patinete em alta velocidade em local próprio para pedestres. Ele sugere a possibilidade da criação de leis específicas aos equipamentos.
Mas enquanto as regras não são oficialmente estabelecidas, a Grow, responsável pelas marcas Yellow e Grin, populares no país pelo uso de bicicletas e patinetes compartilhados, já orientam o usuário a tomar algumas medidas de segurança essenciais através de seus termos de uso.
Para a Grow, o pedestre é prioridade, portanto é essencial não atrapalhar o fluxo ao estacionar em locais indevidos. “Dê sempre preferência ao pedestre e lembre-se que ele é o mais vulnerável”, a empresa afirma em nota. Nos termos de uso, consta também a velocidade máxima que pode ser utilizada em ruas e calçadas orientada pelo Contran.
Há idade mínima para uso dos patinetes (18 anos). Também é indicado que apenas uma pessoa use o patinete por vez, ou seja, nada de dar carona no equipamento, mesmo para crianças. Os termos de uso são leitura obrigatória antes de alugar o equipamento.
Confira outras 10 dicas na hora de manipular um patinete:
Use capacete;
Cuidado com manobras arriscadas;
Evite subir ou descer ladeiras íngremes. Em elevações ou buracos, desça do patinete. Enquanto ele estiver em movimento, mantenha os dois pés na prancha. Não ande em alta velocidade;
Ao passar por uma lombada, flexione os joelhos;
Não utilize o celular enquanto estiver dirigindo e nem utilize fones de ouvido;
Respeite os pedestres, e, se for possível, evite as calçadas;
Mantenha as duas mãos no guidão durante os trajetos;
Não estacione em lugares inadequados, que podem atrapalhar os pedestres ou os moradores (em frente a garagens, por exemplo);
Quando anoitecer, dirija com os faróis acesos;
Respeite as leis de trânsito, o que inclui não dirigir alcoolizado e respeitar os semáforos.