Saúde e Bem-Estar

Cinquentinha, sem problemas

Amanda Milléo, especial para a Gazeta do Povo
20/06/2013 03:20
Fazer 50 anos abre portas a outras enfermidades, como o câncer de bexiga, causado também por maus hábitos como o tabagismo e abuso de álcool, segundo o urologista Manoel Antônio Guimarães, do HC/UFPR e professor de urologia da Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná. “Quem fuma tem quatro vezes mais chance de ter câncer de bexiga do que quem não fuma”, aponta. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, 70% dos mortos pela doença em 2010 eram homens. No Paraná, estima-se haver 7 casos para cada 100 mil homens.
O tabagismo aliado ao excesso de peso e ao exagero no consumo de bebidas alcoólicas são fatores que prejudicam a saúde deles a partir dos 50 anos. “Falta de atividade física, sedentarismo, hipertensão, diabete são o que mais mata os homens. E muitos têm chegado aos consultórios – a mando das esposas e filhas – com excesso de peso”, alerta Guimarães.
Síndrome metabólica
Com o passar dos anos também aumenta a incidência da chamada síndrome metabólica (SM), que engloba fatores como má alimentação, obesidade e sedentarismo, que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame, e de diabete. “Com o envelhecimento a incidência da SM aumenta. Como é uma doença silenciosa, sem muitos sintomas, é imprescindível a avaliação médica regular”, explica a endocrinologista Myrna Campagnoli, do Hospital Nossa Senhora das Graças. “Deixar de fumar e beber, dormir melhor e reduzir o estresse são atitudes que contribuem para a redução de riscos”, complementa.
Quando examinar a próstata
A partir dos 40 anos, fazer os exames de próstata anualmente é a orientação para prevenir o tipo de tumor responsável por 13,8% das mortes masculinas por câncer de 2006 e 2010, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer, ligado ao Ministério da Saúde.
Porém, as temidas visitas anuais ao urologista – que causam muito estresse aos homens – poderão ser alteradas em breve, a partir de novas recomendações da Associação Americana de Urologia (AUA), divulgadas em maio último. Em vez de visitar o médico uma vez ao ano, a orientação aos norte-americanos é fazê-lo a cada dois anos. No entanto, a taxa de mortalidade por câncer de próstata entre eles tem reduzido nos últimos anos, ao contrário do Brasil.
As novas orientações da AUA são conservadoras. A decisão pelo exame de PSA (prova do antígeno prostático) screening para os homens entre 55 e 69 anos deve pesar também os riscos associados ao exame e ao tratamento, como falsos positivos e intervenções desnecessárias.
Riscos do exame
Para os especialistas brasileiros, os riscos de exames PSA screening rotineiros estão em detectar um câncer que não viria a ser um potencial problema para a vida do homem. “Ele passaria por uma cirurgia sem necessidade”, explica o urologista Manoel Antônio Guimarães.
Nos últimos anos, segundo o médico, alguns brasileiros com câncer de próstata têm até mesmo feito a chamada vigilância ativa, em que o câncer é acompanhado, mas não tratado. “Se ele detecta a doença com 70 anos, a probabilidade de que venha a morrer de outro problema, e não do câncer, é maior, pois a expectativa de vida do brasileiro é de 74 anos”, diz. Ainda assim, é importante considerar que os riscos mudam de acordo com o histórico familiar, hábitos alimentares, vícios influências ambientais, etnia e costumes.
São justamente estes fatores que, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia Seção Paraná, Luiz Sergio Santos, diferenciam os dados de mortalidade de câncer de próstata entre brasileiros e norte-americanos. Ele explica que a SBU ainda discute as orientações dadas pela AUA e verifica de que forma é possível adotá-las ou adaptá-las à realidade brasileira.