As cirurgias de retirada das mamas em casos de câncer já não são mais sinônimo de retirada dos mamilos. Ao unir exames de ressonância magnética e de congelação, médicos brasileiros têm conseguido identificar o nível de comprometimento do mamilo, preservando-o.
As pesquisas feitas pela Sociedade Brasileira de Mastologia já estão sendo adotadas no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, e a ideia, segundo o coordenador do estudo José Roberto Piato, é levar essa associação de exames a toda a prática clínica no país. “Só tiramos o mamilo, hoje, quando ele está tomado pela doença e não indiscriminadamente, como se fazia até então”, diz ele. As informações são da Agência Brasil.
O primeiro estudo envolveu 170 pacientes de câncer de mama residentes em São Paulo. As mulheres, submetidas à mastectomia clássica, de retirada completa de glândulas mamárias, pele, auréola e mamilos, fizeram ressonância magnética, que é um exame de imagem, para verificar se havia invasão tumoral do mamilo.
Finalidade estética
Os métodos desenvolvidos objetivam mostrar em que situações o câncer se estende ou não até o mamilo. Na ressonância magnética, é injetado um contraste no sangue que costuma ser captado pelo tumor de mama como uma espécie de brilho, chamado realce.
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Os pesquisadores tentaram, então, determinar se as variantes analisadas tinham relação ou não com o comprometimento do mamilo. As mamas removidas foram encaminhadas ao patologista, enquanto o radiologista revia os exames de ressonância efetuados.
Piato informa que quando o exame de ressonância mostra um realce que se estende de forma contínua desde o tumor até a papila (mamilo), a chance de comprometimento do mamilo é alta. Quando não existe esse realce contínuo, “em 90% das vezes, o mamilo está livre (do câncer)”.
Outro achado importante apontado pela ressonância magnética é que quando o mamilo está retraído ou repuxado, a chance de comprometimento é grande. “Agora, quando não existe nenhum dos dois, se não tiver nem o realce se estendendo do tumor até a papila, nem a retração da papila, a chance de ela estar livre é mais que 90%”, assegura Piato.
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