Para viver, você precisa de ar, água e alimento. Se algum deles faltar, o corpo se ressente. Algumas pessoas somam a esse tripé da sobrevivência doses diárias de remédios. Sem eles não vivem ou sofrem demais. Mas o depósito contínuo de algumas substâncias no organismo pode causar males muitas vezes piores do que os provenientes da doença já existente.
Quando um impasse desses aparece, cabe ao médico avaliar os riscos e os benefícios de se manter a medicação. “É nisso que consiste a terapêutica. Se o risco for superior, a medicação não deve ser administrada. Mas, se o remédio, mesmo que provoque reação adversa leve, permitir a melhora da qualidade de vida do paciente e colaborar com sua expectativa de vida, deve ser receitado”, explica a professora do curso de Farmácia da Universidade Positivo, Paula Rossignoli.
Este cuidado só é possível quando o paciente faz acompanhamento correto com um médico, toma os remédios de acordo com a orientação e não pratica a automedicação. Grande parte das intoxicações medicamentosas se dá pelo uso abusivo e indiscriminado de remédios. “Por muito tempo a insônia foi tratada de forma bárbara, levando pacientes a fazer uso de ansiolíticos por anos. Isso acaba provocando uma série de conseqüências, já que o sedativo provoca ressaca diurna, diminuição da concentração e da vivacidade mental. Esse não é um tratamento interminável. Ele precisa ter começo, meio e fim”, diz a diretora do curso de Farmácia da PUCPR, Cynthia Bordin. Os ansiolíticos, segundo o psiquiatra Saint Clair Bahls, professor da Universidade Federal do Paraná e da Universidade Positivo, são exemplos de medicamentos “sedutores”, com alto risco de causar dependência. Eles acabam virando “condição” para dormir (a pessoa já não consegue adormecer sem o remédio), mesmo se a “razão” da insônia – preocupação, dívidas, desilusão amorosa, perda de emprego – não existir mais.
De acordo com Paula Rossignoli, outro agravante é o uso abusivo de alguns medicamentos. “Muitas doenças podem ser tratadas sem remédios. “A própria insônia, se tomadas precauções como levar uma vida mais regrada e reduzir as atividades perto da hora de dormir, pode ser contornada. O problema é que as pessoas vão ao médico e querem um remédio porque é mais fácil. São como pílulas da felicidade”, diz.
Serviço:
Cynthia Bordin, diretora do curso de farmácia da PUCPR. Farmácia Universitária, fone (41) 3271-5885 e e-mail farmacia.universitaria@pucpr.br
Paula Rossignoli, farmacêutica e professora da Universidade Positivo. Farmácia Escola, fone (41) 3317-3128
Saint Clair Bahls, psiquiatra e professor da UFPR e Universidade Positivo, fone (41) 3242-6132
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