Saúde e Bem-Estar
Um homem que não esteja planejando ter filhos em curto prazo provavelmente não passa muito tempo imaginando a quantas anda a própria fertilidade. No entanto, a capacidade de ter filhos, ou a falta dela, está diretamente ligada a decisões que são tomadas no dia a dia, desde cedo.
Temperatura
O calor pode realmente prejudicar a fertilidade masculina e é por este motivo que os testículos ficam protegidos, separados do calor do corpo, em bolsas que os mantêm em temperatura mais fria. De acordo com urologista e andrologista Fernando Lorenzini, do Hospital de Clínicas, o aumento da temperatura testicular leva à diminuição da qualidade e da quantidade de espermatozoides. “Padeiros, confeiteiros, chefes de cozinha, bombeiros, soldadores e trabalhadores de fábricas de cerâmica são exemplos de profissionais que correm risco de ter a fertilidade afetada, pois estão expostos ao calor excessivo. Assim como quem frequenta saunas e toma banhos com água em temperatura maior que a corporal”, alerta. Ele também chama a atenção para o uso diário do notebook no colo, já que o equipamento costuma aquecer rapidamente quando usado.
Entre os meninos
Algumas ações tomadas na infância ou adolescência podem garantir a capacidade reprodutiva do homem, como a proteção contra traumas, infecções, uso de roupas que não apertam e outros. “Prevenção é a palavra-chave e o primeiro fator importante é a correção do testículo que esteja fora da bolsa testicular antes que a criança complete um ano de idade. Ainda na infância ou na adolescência é indicado fazer um exame para saber se a pessoa tem veias dilatadas, ou varicoceles, que se não forem tratadas podem levar a várias lesões”, afirma. Dez por cento dos homens têm varicocele e, entre os inférteis, esse percentual sobe para 30%. As tais dilatações venosas dificultam o retorno do sangue, fazendo com que ele fique acumulado nas veias escrotais. Isto leva ao aquecimento testicular, o que é prejudicial aos espermatozoides.
Sexo seguro
As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) também são preocupantes sob o panorama da fertilidade, especialmente entre os adolescentes, segundo o doutor em Urologia Renato Tambara Filho, professor associado de Urologia da Universidade Federal do Paraná. Como a iniciação sexual acontece de forma cada vez mais precoce, as formas de proteção contra essas doenças também precisam ser esclarecidas entre os jovens. “Distribuir camisinha não é educação sexual, mas uma banalização do sexo. Devemos ensinar a respeitar o próprio corpo, a interpretar a sexualidade com respeito e a transformar a atividade sexual em algo responsável e prazeroso. As DSTs podem ter complicações que levam a infertilidade e hoje já vemos meninos de 13 anos com essas doenças”, diz.
Maus hábitos
O álcool em excesso está relacionado com a diminuição da testosterona e, consequentemente, com a redução no volume de sêmen. O fumo, mesmo que indiretamente, além de propiciar a disfunção erétil (incapacidade de se conseguir ou manter a ereção do pênis), é prejudicial à mobilidade e à forma e material genético do espermatozoide. O mesmo ocorre com drogas como cocaína, crack, LSD, heroína e maconha, que podem impossibilitar a fecundação por incapacitar o espermatozoide de subir em direção ao óvulo. Anabolizantes também devem ser eliminados, pois, entre outras coisas, induzem o organismo a diminuir a produção de hormônios masculinos.
Serviço
Urologistas: Renato Tambara Filho, fone (41) 3320-3668, e Fernando Lorenzini, fone (41) 3244-1111.
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