“A cabeça mudou, foi um grande trauma. Não cheguei a ficar depressivo, mas me tonei mais sensível, choro por pouca coisa e me emociono fácil”.Antonio Carlos da Cruz, 49, que sofreu um enfarto há 6 meses e desde então tem acompanhamento semanal, pratica atividade física, controla os sinais vitais, a alimentação e a mente.
Após um enfarte, além da luta pela recuperação muitos pacientes se defrontam com a ansiedade, angústia, medo, tristeza e insegurança. A depressão pode se instalar, atrasando a reabilitação ou predispondo a um novo enfarte. O apoio da família e da equipe médica são essenciais para o paciente recuperar a segurança e a autoestima.
Como a reabilitação requer mudança brusca dos hábitos de vida, o abandono de vícios e uma rotina de várias idas ao médico e de muitos remédios, ela acaba pesando. “Se não houver um bom acompanhamento o indivíduo pode desistir no meio do caminho”, diz o cardiologista e diretor geral do Hospital Costantini, Costantino Costantini.
O impacto emocional envolve também a preocupação do recém-enfartado com a família e com o trabalho, diz o cardiologista do Hospital Santa Cruz, Valdir Lippi. “Pelas limitações físicas que a situação impõe, a ansiedade aumenta muito e um quadro depressivo pode se instalar, aumentando o risco de um novo episódio”, diz ele.
Exercitar ajuda a mente
O cardiologista do esporte da Clinicor, Marcelo Leitão, relata que a característica mais comum entre recém enfartados é a insegurança em relação à retomada da rotina. E que a reabilitação cardíaca influencia na recuperação psicológica. “Os exercícios reduzem a ansiedade, evitam quadros depressivos e potencializam o retorno à rotina”, diz ele. Além disso, fazer atividades físicas promove a socialização, a recuperação da autoconfiança e faz aumentar o bem-estar, como assinala o fisioterapeuta e coordenador da Academia do Coração do Hospital Costantini, Rafael de Macedo.
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