Saúde e Bem-Estar

Num abrir e fechar de boca

Érika Busani
14/08/2006 00:02
erikab@gazetadopovo.com.br
A articulação temporomandibular, mais conhecida pela sigla ATM, é a mais usada do corpo. Participa de todos os movimentos da boca – da fala à deglutição e, quando não funciona adequadamente, pode causar dores crônicas na face ou cabeça. “Cerca de 90% dos pacientes com disfunção de ATM dormem mal e estão sempre irritados”, diz o ortodontista Juan Carlos Arellano, especialista em Articulação Temporomandibular e Dor Orofacial e vice-presidente da American Academy of Craniofacial Pain na América Latina.
Estima-se que 40% das pessoas apresentam problemas na articulação, mas, segundo o dentista Marcelo Castellano, especialista em Dor Orofacial e Disfunção Temporomandibular, apenas 10% da população precisa de tratamento. “A grande maioria dos pacientes vem com sinais de disfunção, mas nem todos precisam de tratamento. Também há muita confusão com outras doenças – principalmente enxaquecas e problemas de ouvido, por isso seria interessante que procurassem generalistas antes do especialista”, explica.
Um dos fatores que podem desencadear problemas na articulação é o hábito de apertar ou ranger os dentes – o bruxismo. Como pode ser intensificado pelo estresse, os casos de disfunção na ATM têm se tornado comuns nos últimos anos. “Pesquisas mostram que há pacientes que contraem o músculo por até 100 minutos por noite. Isso traz danos à musculatura”, atesta Castellano, um dos pioneiros na especialidade no estado.
Próteses ou restaurações malfeitas, perda ou desgaste dos dentes e hábitos errados são outras causas odontológicas que podem desencadear o distúrbio. “São os dentes que ‘informam’ ao cérebro qual a posição correta da mordida. Quando não há dentes ou eles estão desgastados, a musculatura e a articulação se adaptam, mas isso é péssimo, porque as sobrecarrega”, explica Castellano.
As disfunções de ATM também trazem problemas à postura. “A cabeça pesa, em média, 6,5 quilos. Manter seu equilíbrio é uma das funções na qual o corpo mais gasta energia. Qualquer alteração na mandíbula, que é o contra-peso da cabeça, faz o corpo buscar um novo ponto de equilíbrio, mudando a postura”, afirma Juan Carlos Arellano. Por isso, muitas dores também aparecem à distância, principalmente na coluna cervical e lombar. “Especialistas franceses já relacionaram dores nos glúteos e nas pernas à ATM”, diz. Co-autor do livro Compêndio de Diagnóstico das Patologias da ATM, voltado para profissionais, Arellano trata todas as disfunções de ATM. Já Castellano trabalha em conjunto com a esposa, Luciane, que é fisioterapeuta especialista em Disfunção Crânio-mandibular.
Serviço: Juan Carlos Arellano (ortodontista), fone (41) 3336-9090 / Marcelo Castellano (dentista), fone (41) 3014-0104.