Os olhos ainda se enchem de lágrimas ao lembrar de Tido*, 41 anos, doador de uma parte de seu fígado, que vive no interior de São Paulo. “Devo a ele a minha vida”, afirma o advogado Carlos Eduardo Cury, 36. A história de Cury começa há três anos, quando exames preparatórios para uma simples cirurgia de septo do nariz revelaram a presença do vírus da hepatite C. “Tinha como única opção de sobrevivência, o transplante. A fila de doação pós-morte não andava, ao mesmo tempo não encontrava na minha família ninguém compatível com o meu organismo, várias pessoas fizeram os exames em vão, estava às portas da morte”, conta.
Um dia, enquanto esperava para conversar com o padre em uma igreja, a mãe de Carlos acabou conhecendo Tido, que tinha ido lá para marcar o batizado do neto, e contou a ele o drama do filho. “Na saída, ele se ofereceu para fazer os exames, caso desse certo estaria disposto a doar. Quando ela me contou a história, quase não acreditei”, diz Cury.
Os testes, feitos no Hospital de Clínicas em Curitiba, sinalizaram finalmente a possibilidade da cirurgia. “Hoje, dois meses depois, estou ainda em Curitiba, e melhorando. Tido já voltou para São Paulo. O pós-operatório para nós dois não foi fácil, ele ficou mais de três meses sem poder fazer grandes esforços, mas estamos bem. Para mim, ele é um herói!”
Os médicos lembram, no entanto, que para a doação entre pessoas vivas é necessário considerar o que diz os códigos de bioética: deve ser feito apenas em casos graves, e quando não coloca em risco doadores provedores, como chefes de família. Sem cogitar, é claro, a venda de órgãos.
* A fonte preferiu não se identificar.
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